Publicada em 10/11/2017 às 15h28.

Será que a fé ajuda na qualidade de vida?

Confira, nesta entrevista com a especialista em fisioterapia integrativa Roseny Santos Ferreira, o que é a medicina integrativa e qual é o papel desta na relação entre a fé e os tratamentos de doenças.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

iSaúde Bahia -  A fé, a espiritualidade, a religiosidade trazem algum benefício na prevenção e no tratamento de doenças? Quais são os princípios ou causas desse efeito benéfico?

Roseny Ferreira - Sim. A literatura científica e também a leiga cada vez mais comprovam a influência positiva das práticas religiosas e espirituais sobre a saúde dos indivíduos. Estatísticas mundiais demonstram que cerca 80% das pessoas portadoras de doenças crônico-degenerativas, como o câncer, por exemplo, buscam tratamentos complementares e a espiritualidade é uma das mais fortes alternativas.

iSB -  Quais doenças ou problemas de saúde são os mais beneficiados?

Roseny Ferreira - As doenças crônico-degenerativas ou suas sequelas: câncer, diabetes, HIV/Aids, processos reumáticos, neurológicos e cardiovasculares. 

iSB - O que é a medicina integrativa, quais são seus princípios e para quais problemas essa medicina é eficaz? Qual é a relação desse tipo de medicina com a religiosidade?

"Desde a década de 1970, pesquisadores americanos começaram a aprofundar os estudos sobre a relação entre doença e fé e surgiram, a partir daí, disciplinas nos currículos das grandes universidades médicas americanas, com o objetivo de discutir a quebra de determinados paradigmas nesse tema".

Roseny Ferreira - Desde a década de 1970, pesquisadores americanos começaram a aprofundar os estudos sobre a relação entre doença e fé e surgiram, a partir daí, disciplinas nos currículos das grandes universidades médicas americanas, com o objetivo de discutir a quebra de determinados paradigmas nesse tema. Os termos utilizados anteriormente como alternativo ou complementar, com o passar do tempo, mostraram-se inadequados, pois a ideia primordial dessa nova abordagem não seria excluir ou simplemesmente complementar a terapêutica existente. O objetivo da medicina integrativa é, como diz o termo, integrar o que o avanço tecnológico propicia de bom para o tratamento das doenças com um arsenal de técnicas que cuidam de dimensões humanas não valorizadas: a dimensão energética e a dimensão espiritual.

Quando nos propomos tratar do corpo sutil, temos que considerar a religiosidade/espiritualidade como um caminho que nos mostra efeitos concretos da ação-reação entre as dimensões física, mental, energética e espiritual.

iSB - O que é a fisioterapia integrativa, qual é a sua diferença da fisioterapia tradicional?

Roseny Ferreira - A fisioterapia integrativa propõe ampliar a intervenção fisioterapêutica para outras dimensões do cuidar além do corpo físico como vem fazendo a fisioterapia tradicional. Utilizamos técnicas sutis de intervenção específica nos campos energético e espiritual dos nossos pacientes.

iSB - Como a medicina tradicional está se relacionando com a possibilidade dos benefícios da espiritualidade e religiosidade, há mais descrença ou uma aposta num verdadeiro fundamento para esses benefícios?

Roseny Ferreira - Uma parte cada vez maior dos profissionais de saúde tem-se mostrado interessado em buscar conhecer os trabalhos realizados por grupos sérios que investigam esta área, tanto no Brasil como no exterior. 

iSB - Seriam esses benefícios restritos à religiosidade ou poderiam advir também da fé, por exemplo, em uma missão social, em fazer o bem ao próximo, algo não necessariamente relacionado a um mundo outro que não o terreno?

Roseny Ferreira - Quando falamos de espiritualidade estamos ampliando o conceito de fé para além dos dogmas religiosos e buscamos explorar o fenômeno da transcendência como possibilidade terapêutica para muitos problemas de doença física, mental e/ou espiritual.

iSB - Há alguma relação entre esse tipo de benefício e o placebo?

Roseny Ferreira - O efeito placebo vem ao encontro (a favor) da teoria que nos mostra um médico interno capaz de conduzir o processo de autocura a partir de determinado estímulo.

Compartilhe

Saiba Mais

     

    Redes Sociais