Publicada em 14/02/2019 às 11h54. Atualizada em 23/02/2019 às 07h18

Assistência à saúde reprodutiva na adolescência: principais desafios

Conheçam um pouco as principais dificuldades enfrentadas por adolescentes. Vejam também os locais de referência em assistência à saúde reprodutiva dessa população.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A adolescência é caracterizada pela diversidade das descobertas e vulnerabilidade psicológica. É uma fase que abrange a faixa etária de 10 a 19 anos, conforme a Organização Mundial da Saúde, um período associado à constante alternância de personalidade do indivíduo. 

No Brasil, as mais relevantes inseguranças que atingem adolescentes são: enfrentar barreiras culturais, dependência por drogas ilícitas, álcool e os diversos tipos de violência. Além disso, os malefícios relacionados ao local de moradia abrangem a precariedade da oferta de instituições educacionais próximas e acesso aos serviços de assistência à saúde especializada em adolescentes. 

Outro importante problema a ser considerado, nessa fase, é a evasão escolar. 35% das jovens brasileiras que abandonam a escola fazem isso por se tornarem mães na adolescência. No país, são mais de 414.105 mil meninas de 15 a 17 anos que têm pelo menos 1 filho e mais de 309 mil jovens mães estão fora da escola. Segunda maior taxa de gravidez na adolescência no mundo superado apenas pela África. Em 2015, nasceram 547.564 filhos de mães adolescentes, sendo 5828 de mães com até 13 anos, 20.872 de mães com até 14 anos e 520.864 de mães ente 15 e 19 anos. Em Salvador-Ba, a cada 100 bebês nascidos vivos 14 são de mães com menos de 20 anos. Um estudo conduzido em Salvador-Ba evidenciou média de início de atividade sexual de 13 anos entre gestantes adolescentes, além da alta taxa de gestação não planejada (82%) e do baixo índice de conhecimento sobre métodos contraceptivos.

Sendo assim, a gravidez na adolescência (10-19 anos de idade) é um tema muito importante nos debates sobre a saúde sexual, cerca de 4 a cada 5 gravidezes em adolescentes não foram planejadas. O impacto de uma gestação não planejada na adolescência pode gerar alterações psicossociais e emocionais para o resto da vida; podendo estar associada à evasão escolar, perda de oportunidades, alterações psicológicas para as pessoas envolvidas, além dos riscos de complicações perinatais.

Diante desse contexto, a lei 13.798, sancionada em 03 de janeiro de 2019, cria a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, a fim de disseminar informações que contribuam para a redução da gravidez precoce no Brasil. 

São essenciais as atividades de caráter preventivo e educativo, bem como planejamento reprodutivo seguro e eficaz a essa população. 

"No aspecto contraceptivo, há evidências de que o Dispositivo Intrauterino (DIU) tem boa eficácia nessa população, pois não há falhas provenientes dos “esquecimentos” das usuárias..."

No aspecto contraceptivo, há evidências de que o Dispositivo Intrauterino (DIU) tem boa eficácia nessa população, pois não há falhas provenientes dos “esquecimentos” das usuárias, o que previne gestações não planejadas. Ele é um método de longa duração, cinco anos, no caso do DIU hormonal (com levonorgestrel), e 10 anos no caso do DIU de cobre, esses últimos fornecidos pela rede SUS. Existem, ainda, diversos outros métodos que, conversados com o profissional de saúde, serão individualizados de acordo com o perfil de cada paciente. 

Importante destacar que nenhum contraceptivo deve ser dissociado do preservativo, pois apenas a “camisinha” previne as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, gonorreia, cancro mole, herpes, hepatites, HPV (associado às verrugas genitais e câncer de colo uterino, cada vez mais frequentes em pacientes mais jovens) e o HIV. 

É importante que adolescentes tenham  acesso à educação sexual nas escolas e  incentivo à procura de assistência à saúde, incluindo o diálogo na família, que ajuda a minimizar os conflitos existentes nessa fase da vida. Todos esses fatores favorecem a conscientização da necessidade de assistência em saúde. Para conseguir o atendimento aos serviços de planejamento reprodutivo e sexual, os adolescentes podem procurar as unidades básicas de saúde (UBSs) mais próximas da sua residência e/ou das escolas onde estudam. Sabe-se que todas as UBSs do Brasil prestam esse tipo de atendimento à população. Dessa forma, adolescentes que necessitarem de atendimento de saúde, orientações em sexualidade e reprodução, ou quiserem tirar dúvidas sobre ISTs ou métodos contraceptivos, podem se dirigir a uma unidade de saúde mais próxima da sua residência ou escola para conseguir atendimento. Atualmente, são aproximadamente 80 UBSs no município de Salvador e todas devem garantir a assistência à saúde para adolescentes. Procure a unidade de saúde mais próxima e peça atendimento. Este é um direito seu, garantido pela Constituição Federal Brasileira de 1988. 

Referências:

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