Publicada em 08/11/2018 às 09h31. Atualizada em 08/11/2018 às 09h36

Atuação e contribuição dos enfermeiros na humanização do parto

Ele deve ser um profissional sem preconceitos e garantir a prestação de um serviço livre de qualquer dano e utilização mínima de intervenções em suas práticas.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Leia a primeira parte do artigo: Humanização do parto e a autonomia da mãe

O cuidado sempre esteve presente nas atribuições da enfermagem e deve ser exercido de maneira integral, com uma visão humanística, expandindo a compreensão do homem.

Nesse sentido, a enfermagem atua proporcionando à mulher, durante o parto, maior segurança e conforto, sempre com uma escuta ativa e atenciosa. A criação de vínculo com a paciente é primordial para perceber as suas necessidades e, então, saber quais as ações a serem realizadas.

É grande a importância dos enfermeiros na redução da ansiedade das gestantes e parturientes, proporcionando-lhes mais coragem, conforto e segurança.

O papel da enfermagem frente a um acompanhamento humanizado durante o parto exige um profissional sem preconceitos, a prestação de serviço livre de qualquer dano e a utilização mínima de intervenções em suas práticas. O respeito, a solidariedade, o apoio, a orientação e o incentivo são fatores que demonstram o cuidado e a importância da assistência humanizada desse profissional.

"O papel da enfermagem frente a um acompanhamento humanizado durante o parto exige um profissional sem preconceitos, a prestação de serviço livre de qualquer dano e a utilização mínima de intervenções em suas práticas."

A relação dos enfermeiros com suas pacientes demanda dinamismo, para que os saberes da paciente sejam incorporados ao conhecimento científico, e sua autonomia seja preservada.

O enfermeiro reconhece a relevância da prestação de uma assistência adequada e de qualidade, por isso procura sempre estar acolhendo a mulher, proporcionando segurança, reconhecendo fatores que geram estresse, como a dor, criando um ambiente de cuidado e conforto, tanto para a parturiente como para a família. Dessa forma, a enfermagem vem, cada vez mais, construindo uma história diferenciada, mostrando a sua capacidade, habilidade e influência, aliadas à autoconfiança e experiência no processo de parir, preservando sempre as condições físicas, emocionais e os valores da parturiente.

O enfermeiro tem a educação em saúde como uma das atribuições pertinentes à sua profissão. É importante desmistificar a cultura da cesárea e enfatizar para as gestantes os benefícios de um parto normal e sem interferências, quando possível, para que a parturiente possa decidir com mais consciência sobre o método a ser escolhido.

As mulheres absorveram a cultura de que o parto normal dói e não traz segurança. Cabe ao enfermeiro, como educador, ajudar essa mulher a compreender melhor sobre o parto normal e suas vantagens.

Além das práticas assistenciais, os enfermeiros obstétricos têm funções importantes quando se trata da parte administrativa, sendo reconhecidos pela supervisão de pessoal de enfermagem, provendo os recursos necessários para o andamento da unidade, para que, assim, toda assistência prestada seja efetiva.

A função do enfermeiro voltado para atividades administrativas ainda é muito priorizada por instituições de saúde, afastando-o do contato direto com o paciente, fazendo, dessa forma, com que o enfermeiro, muitas vezes, deixe de lado a realização das práticas humanizadas, pois essa atribuição requer uma demanda de tempo e dedicação para o serviço.

O enfermeiro obstetra ainda encontra muitas dificuldades na sua atuação, seja pelos limites impostos pelas estruturas físicas encontradas nas maternidades atualmente, e\ou rotinas hospitalares, seja pela cultura centrada nos médicos, que ainda prevalece.

É importante que a enfermagem não se limite às rotinas impostas, que agregue conhecimento e uma postura reflexiva para agir da melhor forma frente às situações. Dessa maneira, a profissão terá o seu devido prestígio por meio da consolidação e emancipação. 

CONCLUSÃO

Com as crescentes mudanças no exercício da profissão e as diversas políticas inseridas para garantir a assistência qualificada com base na humanização, a enfermagem ainda vem galgando o seu espaço dentro da obstetrícia, pois esse profissional ainda não possui total autonomia, prevalecendo, portanto, as práticas dos médicos. Apesar da implementação, pelo Ministério da Saúde, das Portarias 2815 e 613 que permitem a assistência do enfermeiro ao no parto de baixo risco, ainda são poucos os enfermeiros obstetras que atuam no parto.

O enfermeiro obstetra ainda precisa embasar-se na educação em saúde, pois, por meio dessa assistência, a parturiente sente-se mais acolhida e segura durante o parto. É necessário refletir sobre as atitudes a serem tomadas e sobre a melhor maneira de inserir as práticas humanizadas, pois “para mudar a vida, é preciso primeiro mudar a forma de nascer”.

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