Publicada em 18/11/2011 às 15h09. Atualizada em 24/11/2011 às 17h32

Esperança contra a dengue: a vacina vem aí

Em parceria com multinacional, Fiocruz trabalha no desenvolvimento de uma vacina para controlar a dengue. Enquanto ela não vem, saiba quais cuidados você deve tomar contra o mosquito transmissor da doença.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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“A vacina desenvolvida entre a GSK e a Fiocruz se prepara para a fase de testes em pessoas. Algumas etapas já foram realizadas, como avaliar o medicamento em animais, os efeitos colaterais e a segurança”.

A luta contra a dengue fica, a cada dia, mais acirrada. O cenário de disputa é formado por duas partes antagônicas. De um lado está o aedes aegipyti, mosquito transmissor da doença e, do outro, estamos nós, as vítimas. O combate continua difícil, mas o quadro está prestes a ganhar mais um forte aliado a nosso favor: quatro pesquisas pelo mundo afora dedicam tempo, dinheiro e esforços na fabricação de uma vacina capaz de combater a dengue.

A doença tornou-se um problema de saúde pública que atinge várias cidades de diversos estados do país. Se antes a proliferação do mosquito aedes aegipyti ocorria durante o verão, quando os termômetros subiam e as fortes chuvas caíam; nos dias de hoje as pessoas são infectadas o ano todo.

Há um aumento crescente da proliferação da dengue, e pior, os casos registrados estão mais graves do que nos anos anteriores. Outro aspecto preocupante diz respeito ao perfil clínico dos pacientes. Agora, crianças e jovens abaixo de 15 anos são mais atingidos que adultos, como acontece nos países asiáticos.

“Se antes a proliferação do mosquito aedes aegipyti ocorria durante o verão, quando os termômetros subiam e as fortes chuvas caíam; nos dias de hoje as pessoas são infectadas o ano todo”.



O cenário nacional mostra um novo e alarmante quadro da doença. Precisamos dar um basta nas ações do inimigo o quanto antes, evitar a sua proliferação e combatê-lo para nos proteger. A criação da vacina representa, portanto, a esperança da ciência no controle da dengue.  

Das quatro pesquisas existentes no mundo, três delas são desenvolvidas por grandes empresas farmacêuticas internacionais em parceria com instituições públicas brasileiras, assim como o convênio entre a multinacional GlaxoSmithKline (GSK) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), grandes empresas farmacêuticas internacionais com a Universidade Federal do Espírito Santo e os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos com o Instituto Butantan.

“Como ainda não existe um tratamento específico para a doença, o que se faz hoje em dia é cuidar dos seus sintomas através de remédios inespecíficos”.

Como ainda não existe um tratamento específico para a doença, o que se faz hoje em dia é cuidar dos seus sintomas através de remédios inespecíficos. Enquanto os antitérmicos auxiliam a controlar a febre, os analgésicos amenizam as dores de cabeça e musculares. Muitos dos sintomas citados aparecem na dengue chamada de clássica que também se caracteriza pela presença de fraqueza e falta de apetite. Nesse caso, o quadro evolui naturalmente até a total cura, quando se completa o ciclo do vírus no organismo.

Porém, se a pessoa apresentar alguma debilidade, como desnutrição ou deficiência no sistema imunológico, há a possibilidade de a dengue evoluir para a forma hemorrágica. Nesse caso, o infectado apresenta manchas roxas na pele, além do sangramento de gengiva e de nariz. Fortes dores abdominais completam o quadro, graças ao sangramento de órgãos internos.

Durante a fase dos primeiros sintomas, especialmente na dengue clássica, é importante ficar alerta, pois a doença pode ser confundida com a gripe ou a leptospirose, por exemplo.  Do mesmo modo, é preciso evitar medicamentos à base de dipirona, anti-inflamatórios (voltaren), ou que contenham ácido acetil-salicílico (aspirina). Tais substâncias podem agravar o quadro da doença. O mais indicado é que o paciente procure ajuda de um profissional, dirigindo-se a um posto médico e mantenha-se sempre hidratado.

Esperança anunciada

Para criar uma arma eficiente contra a dengue, a vacina precisa tornar o corpo humano protegido dos vários subtipos da doença. Embora seja uma única patologia, existem quatro tipos de vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV- 4), que causam os mesmos sintomas. A classificação 1, 2, 3 ou 4 não tem qualquer relação com a gravidade da doença, mas à ordem da descoberta.
Quem já teve dengue causada por um tipo do vírus não voltará a ser infectado pelo mesmo tipo. Caso ocorra um segundo episódio da doença, os sintomas se manifestam com mais severidade, por isso, a dengue hemorrágica ocorre, principalmente, em pessoas anteriormente infectadas por qualquer um dos quatro tipos de vírus.

A vacina desenvolvida entre a GSK e a Fiocruz se prepara para a fase de testes em pessoas. Algumas etapas já foram realizadas, como avaliar o medicamento em animais, os efeitos colaterais e a segurança. O próximo passo é averiguar a eficácia do medicamento. Para tanto, ele será utilizado em moradores das cidades de Salvador, Manaus e Fortaleza, zonas que possuem uma incidência maior da doença para, posteriormente, ser aplicada em comunidades maiores. O objetivo é observar se o funcionamento será eficaz ou não. Caso dê tudo certo, entre 5 e 10 anos, espera-se ter uma arma potente contra a dengue.

Enquanto isso...

Enquanto a vacina não chega ao mercado, só resta uma saída: a prevenção. É importante tomar alguns cuidados para evitar o desenvolvimento do mosquito da dengue e a disseminação da doença. Não deixe vasos, garrafas ou pneus acumularem água, sempre lave pratos de plantas e xaxins com bucha para eliminar ovos do mosquito ou troque a água por areia molhada, limpe calhas e lajes, guarde garrafas vazias com a boca para baixo, mantenha o lixo sempre fechado e as caixas d'água e poços tampados.

Além disso, é importante que as três esferas de governo (municipal, estadual e federal) se mobilizem para informar a população sobre os riscos da dengue, investindo em programas de educação. Infelizmente, houve um afrouxamento nas campanhas. Ao mesmo tempo, as zonas periféricas dos centros urbanos continuam a se expandir sem estruturas adequadas, falta de encanamento e uma coleta de lixo precária. Todos esses fatores são aliados para a proliferação do aedes aegipyti.

O desenvolvimento da vacina ajudará a diminuir o avanço da dengue, mas é preciso que a população e as autoridades públicas também se empenhem no combate com as armas disponíveis, por enquanto. O cuidado e a atenção devem ser constantes. A dengue é uma doença que pode ser evitada com educação. Se todos se conscientizassem de que para viver em comunidade é preciso que cada um faça a sua parte, zelando pelo bem-estar do outro, teríamos uma incidência menor do mosquito.

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