Publicada em 05/09/2018 às 14h45. Atualizada em 05/09/2018 às 14h58

Como é feito o atendimento odontológico na UTI?

Conheça a atuação do cirurgião-dentista no ambiente hospitalar.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O desenvolvimento da Odontologia Hospitalar na América teve início a partir da metade do século XIX, mas a atuação do cirurgião-dentista no ambiente hospitalar é uma perspectiva recente no contexto brasileiro, tendo sido regulamentada por meio do Projeto de Lei 363, de 2011, que estabelece a obrigatoriedade da presença de profissionais de Odontologia nas unidades de terapia intensiva.

Tem sido relatada maior probabilidade de aderência, colonização e infecção bacteriana na cavidade oral de pacientes que se encontram em leitos de UTI. A microbiota oral e o biofilme dental podem ser introduzidos no trato respiratório inferior durante a intubação, através da aspiração, e esse fato pode contribuir para o desenvolvimento de outras patologias, como, por exemplo, a pneumonia associada à ventilação (PAV).

Além das infecções bacterianas, é comum que pacientes internados em UTI desenvolvam infecções fúngicas. A aderência dos fungos, em especial por espécies de Candida albicans, seria facilitada pelo baixo pH, higienização oral deficiente, baixo fluxo salivar e interações com a microbiota comensal.

Os protocolos que buscam minimizar as consequências da má higienização bucal nas UTIs são adotados, geralmente, por profissionais de Enfermagem. A exemplo, temos o controle mecânico, feito por meio da escovação e do uso da clorexidina como opção de antisséptico para lavagem e lubrificação labial, sendo essa uma das principais atividades realizadas por esses profissionais.

Em pacientes intubados oralmente, a dificuldade de acesso à cavidade oral tem influência direta na qualidade de higienização oral, tendo sido sugerido a implementação de novos protocolos. O uso do chá verde e da água fervida para melhorar as condições da mucosa desses pacientes possui relevância importante na literatura.

Apesar dessas informações, as práticas adotadas pelas equipes de enfermagem com relação ao cuidado oral são limitadas e apresentam controvérsias científicas. Isso ocorre devido ao fato de elas não seguirem protocolos baseados em evidências científicas e diretrizes pré-estabelecidas, como o American VAP Clinical Guidelines de 2016. 

Tendo em vista essa realidade, é preciso, portanto, ressaltar a importância do cirurgião-dentista na implementação e atuação de protocolos mais definidos e coerentes no âmbito hospitalar, com o objetivo de se obter um impacto positivo no manejo das necessidades bucais e no controle de possíveis infecções nosocomiais.

Referências:

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Palavras Chave:

UTI Odontologia saúde oral
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