Publicada em 02/08/2012 às 00h00. Atualizada em 02/08/2012 às 09h45

Como reconhecer um psicopata?

A confusão entre Transtorno de Personalidade Antissocial e Psicopatia é bastante comum, pois ambos referem-se a desvios de conduta, só que nem sempre quem pratica atos ilícitos é um psicopata, saiba por quê.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

O verdadeiro psicopata distancia-se do transtorno de personalidade antissocial por apresentar não apenas comportamentos sociais desviantes, mas aspectos da personalidade que são inerentes ao sujeito, inflexíveis e que determinam padrões específicos de respostas emocionais e relações interpessoais: fanfarrice e superficialidade, egocentrismo e grandiosidade, ausência de remorso ou culpa, ausência de empatia (percepção da subjetividade e sofrimento do outro), manipulação e frieza emocional.

Psicopatia não é sinônimo de criminalidade, muitos não são assassinos como aqueles que vemos na televisão e, ao invés disso, estão em escritórios, são empreendedores e pessoas bem sucedidas, mas seu sucesso não considera o outro e as necessidades da sociedade, passam por cima de preceitos morais e regras de convivência. São os psicopatas de “colarinho branco”.

Encontramos tais pessoas em várias áreas da atividade humana, não poupando mesmo aquelas relacionadas ao altruísmo, à dedicação quase sacerdotal como, por exemplo, na profissão médica. Na política, há exemplos de pessoas que atuam em proveito próprio e causam danos, sem remorso, a milhares de pessoas que são privadas de recursos públicos desviados para o deleite de poucas pessoas.
 
 Não encontramos delírios (falsas crenças que não são abandonadas apesar do teste de realidade) ou pensamentos irracionais. O abuso de álcool e outras drogas psicoativas pode tornar pior o comportamento do psicopata. A prevalência na população geral de transtorno de personalidade antissocial é de 3 a 5% e de psicopatia, de 1%.

A psicopatia como síndrome com componentes de personalidade e de comportamento antissociais tem um caráter hereditário e base biológica. É possível que o cérebro dos psicopatas ao processar determinados estímulos emocionais utilize menos áreas como córtex frontal, sistema límbico e amígdala. As teorias de aprendizagem social e do desenvolvimento respondem mais pelos aspectos ligados à personalidade antissocial e menos para o quadro da psicopatia, conforme distinção feita acima para as duas manifestações patológicas.

"...alguns fatores predisponentes:  violência familiar, abuso infantil, promiscuidade, ausência da figura paterna, ausência de disciplina, abandono infantil e comportamento parental instável". 



Portanto, para o transtorno de personalidade antissocial, teríamos alguns fatores predisponentes:  violência familiar, abuso infantil, promiscuidade, ausência da figura paterna, ausência de disciplina, abandono infantil e comportamento parental instável. Continua sendo controversa a questão da eficácia do tratamento para a psicopatia. Há tentativas com psicoterapia individual, em grupo e em comunidades terapêuticas. A utilização de psicofármacos não tem grande valor, com exceção do controle do comportamento agressivo em situações de intensa resposta ao estresse.

Parte 1 - Por que jovens de classe média e alta vêm cometendo crimes em Salvador?

 

Referências:

Referências:

HUSS, M. T. Psicologia forense: pesquisa, prática clínica e aplicações. Porto Alegre, Artmed, 2011.

HARE, R.D. Without conscience: the disturbing world of the psychopaths among us. London, The Guilford Press, 1999.

American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4. ed. Texto revisado. Porto Alegre, Artmed, 2002.

Compartilhe
 

Redes Sociais