Publicada em 05/10/2018 às 09h58. Atualizada em 05/10/2018 às 10h51

Depressão: doença se mostra cada vez mais perigosa

Confira esta entrevista em que o Psicólogo Joaquim Moura explica como ocorre a enfermidade.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo. Devido a fatores relacionados a rotinas de trabalhos excessivas e estressantes, pressões e cobranças no ambiente de trabalho, os diagnósticos de depressão e ansiedade têm crescido cada vez mais. Como essa doença pode ser caracterizada? Qual o tratamento mais indicado? O psicólogo Joaquim Moura nos explica.

Isaúde Brasil - Por que as pessoas costumam confundir tristeza com depressão? Ter depressão necessariamente deixa a pessoa triste?

Joaquim Moura - O choro é uma das expressões tanto da angústia quanto da tristeza. Sabemos que a angústia é a característica principal do transtorno depressivo, por conta disso as pessoas fazem essa confusão. Tristeza é um sentimento comum à existência humana. Uma pessoa com depressão pode sim se sentir triste.

Quais os principais sintomas da doença? Quando uma pessoa deve procurar um psicólogo ou um psiquiatra?

Joaquim Moura - Os principais sintomas da depressão são: angústia, problemas do sono, falta de motivação, ansiedade, sofrimento, sentimento de solidão, falta de motivação e concentração e fadiga. O psicólogo é recomendado para todos de forma preventiva. Em caso onde a pessoa já esteja desenvolvendo os sintomas relativos a qualquer transtorno mental, torna-se urgente o acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

Existe diferença na abordagem do psicólogo e do psiquiatra?

Joaquim Moura - Os psicólogos trabalham a partir de diferentes abordagens que norteiam o seu estudo e tratamento como a psicanálise, Gestalt, cognitivo-comportamental, dentre outras.  Alguns psiquiatras utilizam essas bases de estudo para melhor compreensão do caso. 

Muitas pessoas com depressão se queixam da falta de apoio familiar. Não reconhecer a doença – por parte da família e amigos – pode agravar o quadro? Dizer que “a pessoa está assim porque quer”, causa ainda mais sofrimento? Por quê?

Joaquim Moura - A família é um fator muito importante na estruturação mental de qualquer pessoa. Se existe um ambiente familiar acolhedor é muito mais propício que a pessoa desenvolva sua saúde mental de forma equilibrada, para ambientes familiares sem apoio e acolhimento é mais difícil. 

A psicofobia é um termo que tem sido muito trabalhado atualmente dentro da saúde mental. Esse costume social de “diminuir” a pessoa que tem algum tipo de sofrimento mental, dizendo que é “besteira, “frescura” ou qualquer outro termo que dificulte o acesso à pessoa ao tratamento tem sido um dos motivos da dificuldade que as pessoas com depressão tem de procurar tratamento especializado. Entende-se que com isso as taxas de suicídio têm aumentado, já que grande parcela dos suicidas apresentam o transtorno depressivo e 9 em cada 10 pessoas que tentam suicídio poderiam ser impedidas com o tratamento especializado.

Quem tem mais depressão: o homem ou a mulher? Por quê?

Joaquim Moura - As mulheres são mais propensas a depressão, porém a taxa de suicídio de homens é maior. Acredita-se que por conta da cultura machista, a opressão que as mulheres sofrem tem adoecido elas. Os homens acabam sofrendo com isso, já que por conta dessa mesma cultura eles não conseguem pedir ajuda, o que justifica o aumento do suicídio.

Estamos vivendo uma “epidemia de depressão”? Há um real aumento no número de casos ou as pessoas estão mais esclarecidas a procurar ajuda, aumentando, sim, o número de diagnósticos? 

Joaquim Moura - Segundo dados da Organização mundial de Saúde (2017), de 2005 até 2015 ouve um aumento de 18% nos casos de depressão em todo mundo. 

As pessoas estão começando a entender a depressão como uma questão de saúde e que precisa ser tratada com seriedade. Por conta disso estão buscando o tratamento especializado. Existe também o aumento do adoecimento psíquico por conta de diversos fatores relacionados à modernidade: a velocidade das relações, a insegurança, auto cobrança excessiva e exposição nas redes sociais são alguns exemplos de fatores que estimulam e que as pessoas ainda não estruturaram recursos para lidar com eles.

A depressão pode levar a pessoa a desenvolver outras doenças como Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Transtorno Bipolar e outros?

Joaquim Moura - A depressão não é responsável por outros transtornos e sim a sintomatologia relativa que pode se estruturar em outros diagnósticos. Se não forem tratados, os sintomas tendem a se desenvolver. Exemplo: uma pessoa com depressão que tem uma crise de mania pode ser reavaliada e diagnosticada com transtorno bipolar. 

Como funciona o tratamento contra a doença? É possível tratar a depressão apenas com psicoterapia?

Joaquim Moura - A depressão é uma doença psiquiátrica que precisa ser avaliada pelo psiquiatra e pelo psicólogo. Cada caso será tratado de acordo com a avaliação desses profissionais.

A depressão é considerada uma doença crônica? No caso de não haver cura, o que pode desencadear novos quadros de depressão no mesmo paciente?

Joaquim Moura - Entende-se que a depressão é uma doença cônica e com o tratamento correto a pessoa pode se recuperar ao ponto de não ter novas recaídas, criando ferramentas de enfrentamento saudáveis para os momentos mais críticos de sua vida. 

Situações de grande estresse, perdas e traumas podem engatilhar as crises, mas com o tratamento especializado essas situações podem ser administradas sem crise.

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