Publicada em 08/07/2013 às 00h00. Atualizada em 11/07/2013 às 21h15

Ela é a uma das causas de dores na mulher durante a relação sexual. O que você sabe sobre o diagnóstico da endometriose?

Com um detalhado exame de ultrassonografia, é possível detectar a presença da doença. Saiba mais sobre o assunto com a médica radiologista, especializada no diagnóstico por imagem de endometriose, Dra. Francine Freitas.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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iSaúde Bahia - O que é a endometriose? 

Dra. Francine Freitas - A cavidade interna do útero, local onde há a implantação do óvulo após a fecundação, é revestida por um tecido chamado endométrio. Quando não ocorre a fecundação e a mulher não engravida, boa parte desse endométrio descama e é eliminado junto com a menstruação. Este processo se repete todos os meses na mulher em fase reprodutiva. 

A endometriose é uma patologia caracterizada pelo implante e crescimento do ENDOMÉTRIO fora da cavidade uterina, que, em vez de ser eliminado pela menstruação, “percorre” o sentido oposto e acomete a cavidade pélvica, ovários e outros órgãos. 

Existem vários tipos de endometriose: a superficial, a ovariana, conhecida como endometrioma, e sua forma mais agressiva que se chama endometriose profunda. Esta última, conceitualmente, é definida quando a doença acomete mais que 5mm abaixo do peritônio. 

iSB - Quais são suas principais causas? 

Dra. Francine Freitas - As causas ainda não estão bem estabelecidas. Existem diversas teorias que tentam explicar a causa da endometriose e, uma delas é a da menstruação retrógrada, ou seja, parte do sangue da menstruação, em vez de ser expelido através do canal vaginal, reflui pelas trompas a cai na cavidade pélvica e órgãos. Outras teorias relacionam uma possível causa genética e alterações do sistema imunológico da mulher. 

iSB - Quais os sintomas mais comuns? 

Dra. Francine Freitas - Os sintomas de endometriose são variáveis e podem estar relacionados à localização da doença. 

Existem pacientes assintomáticas, pouco sintomáticas e aquelas com sintomas muito exuberantes, que influem nas atividades laborativas e na sua vida sexual. 

As queixas mais comuns são dor pélvica que piora com a menstruação, dor relacionada ao ato sexual e infertilidade. Dor lombar, alterações intestinais e urinárias também podem ocorrer, estas últimas manifestando-se através de dor e/ou sangramento. 

"Existem pacientes assintomáticas, pouco sintomáticas e aquelas com sintomas muito exuberantes, que influem nas atividades laborativas e na sua vida sexual".

 

iSB - Como é feito o diagnóstico? Existe apenas um tipo de exame? Podem ser pedidos exames complementares? 

Dra. Francine Freitas - O diagnóstico inicia-se através da suspeita clínica do médico diante de uma paciente com queixa dolorosa ou que se apresente com achados de exame físico sugestivos de endometriose. 

O próximo passo a ser considerado pode ser a solicitação de uma ultrassonografia para pesquisa de endometriose com preparo intestinal ou, em casos específicos, pode ser necessária a realização de uma ressonância magnética da pelve, como método complementar à ultrassonografia. 

A dosagem sérica de um marcador tumoral chamado CA-125 pode ser feita, contudo a elevação deste marcador não é específica para endometriose, podendo também estar elevado em função de outras patologias. 

iSB - Existe alguma diferença no exame de ultrassonografia realizado para o diagnóstico da endometriose para as demais USG(s)? 

Dra. Francine Freitas - Sim. A ultrassonografia indicada para pesquisa de endometriose difere significativamente da ultrassonografia transvaginal de rotina, pois requer, além do preparo intestinal com dieta e laxantes, um treinamento específico do médico radiologista que realiza o exame. 

Trata-se de um exame extremamente detalhado, que deve utilizar equipamentos de ultrassonografia de última geração e tem duração média de 30 a 45 minutos. Esse exame é composto de três etapas: uma avaliação abdominal com o transdutor convexo, uma avaliação abdominal com o transdutor linear e outra avaliação com o transdutor endovaginal. 

iSB - A prematuridade do diagnóstico pode influir no tratamento da endometriose? 

Dra. Francine Freitas - O tratamento para a endometriose deve ser individualizado. A prematuridade do diagnóstico é sempre benéfica à paciente, pois ela pode tratar a patologia em um estágio mais leve, o que seria mais fácil para responder às terapêuticas instituídas.

Deve ser observado se a paciente deseja engravidar e a endometriose, neste caso, pode estar dificultando este objetivo. Se estamos diante de uma paciente já com prole constituída e seu objetivo é exclusivamente melhora do quadro doloroso. Se estamos diante de uma paciente jovem, sem vida sexual ativa e somente o uso de um anovulatório melhoraria o quadro doloroso. 

Enfim, em endometriose, cada caso clínico deve ser analisado em conjunto com a paciente, para que seja decidida a melhor conduta: clínica, cirúrgica ou ambas. 

iSB - A ultrassonografia também pode levar ao diagnóstico de outras patologias pélvicas? 

Dra. Francine Freitas - Sim, inclusive pode excluir endometriose em uma paciente com quadro de dor pélvica crônica que o médico assistente suspeite de endometriose. 

Já tivemos casos de quadros dolorosos com forte suspeita clínica de endometriose, que a ultrassonografia mostrou tratar-se de outras doenças. Inúmeros diagnósticos diferenciais podem ser feitos pela ultrassonografia: miomas uterinos, pólipos, cistos hemorrágicos em ovários, gravidez ectópica, cálculos ureterais, tromboses etc.

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