Publicada em 28/11/2018 às 16h04. Atualizada em 28/11/2018 às 16h10

Espiritualidade Baseada em Evidências

Qual o nível de evidência a respeito dos benefício da espiritualidade? Confira a primeira parte do artigo do Dr. Luis Cláudio Correia.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Potenciais benefícios clínicos da espiritualidade têm sido tema crescente de discussão. Recentemente foi publicado no JAMA Network um ponto de vista entitulado Health and Spirituality¹, escrito por autores da Universidade de Harvard. Este artigo tem sido compartilhado amplamente nas redes sociais, de forma entusiasmada, o que nos motivou a discutir este assunto.

Pessoalmente, acredito nos benefícios da espiritualidade, principalmente do ponto de vista de qualidade de vida e talvez em termos prognósticos. Cientificamente, devo evitar o verbo “acreditar”.

Acreditar é a antítese da ciência moderna, cujo método se baseia na tentativa de refutar hipóteses plausíveis. O incômodo é que ao eliminar o verbo “acreditar” a vida parece perder parte de sua poesia. Portanto, do ponto de vista pessoal, pode ser uma boa ideia manter a prática do acreditar. Mas uma linha tênue separa o pessoal do profissional e devemos estar atentos a isso. 

Podemos também perceber a poesia do método científico, principalmente quando este se propõe a estudar coisas tão misteriosas como a espiritualidade. Ao meu modo de ver, espiritualidade e ciência se entrelaçam, e ciência pode ser vista como um modo espiritual de ser.

Sendo assim, proponho discutir ceticamente duas perguntas que não foram adequadamente abordadas pelo tão citado artigo do JAMA. Afinal, ceticismo é a base da ciência.

Qual o nível de evidência a respeito dos benefício da espiritualidade? Qual o tamanho do efeito do benefício da espiritualidade?

Estamos Preparados?

Antes de começar a análise, trago a questão de se estamos preparados para colocar nossa espiritualidade no crivo científico?

Este é um desafio especial. Se pensar cientificamente é pouco natural e (muito) difícil e, quanto mais pensar cientificamente sobre espiritualidade. Digo isso pois muitos ritos espirituais têm aspecto religioso, no sentido do “acreditar” em uma ideologia.

Mas temos que separar duas coisas que se confundem. A fé é intrínseca de certos ritos espirituais. Por outro lado, a fé deve estar ausente das investigações de eficácia, efetividade ou eficiência destes mesmos ritos espirituais. Praticar espiritualidade e testar espiritualidade são coisas diferentes. 

Que pratiquemos agora o rito científico, de forma espiritual, científica e profissional.

O Nível de Evidência

O artigo do JAMA traz uma clara conotação de alto nível de evidência para benefícios  clínicos da espiritualidade:

“Estudos recentes sugerem uma ampla relação de proteção entre a participação religiosa e a saúde da população”

Traz também uma crítica à comunidade médica por não adotar espiritualidade de uma forma mais ampla:

 “Sistemas formais de colaboração entre líderes espirituais e clínicos permanecem limitados”.

De fato, caso o nível de evidência fosse alto para um relevante tamanho de efeito, a implementação de cultos religiosos ou espirituais nos hospitais e ambulatórios deveria ser obrigatório. Seria omissão não implementar.” Mas estamos cientificamente neste ponto?  

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