Publicada em 20/09/2018 às 00h00. Atualizada em 20/09/2018 às 12h22

Fisioterapeuta Pesquisador = Profissional Competitivo

Veja como a pesquisa na área da Fisioterapia tem crescido e como pode ser um instrumento de desenvolvimento social para o nosso país.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A prática clínica em saúde pode tomar direções diversas dependendo do enfoque aplicado pelo profissional. A Prática Clínica Baseada na Intenção (quando se está disponível para ocupar-se do paciente de coração) está relacionada ao saber especulativo, prático e ocorre a partir de deduções. A Prática Clínica Baseada na Experimentação (ao ser detectado o sintoma, o profissional – ao desconfiar das inúmeras possibilidades de causa – testará a reação do paciente a partir da aplicação de cada uma delas até encontrar a de melhor resultado) depende da observação de coincidências, concordância e vai atuar por indução. Já a Prática Clínica Baseada na Validação (faz uso do saber adquirido via testes reconhecidos no mundo científico) aplica as técnicas, as quais podem relacionar hipóteses e testes estatísticos. A Prática Clínica Baseada em Evidências, por sua vez, é a mais garantida, no que diz respeito à sua eficácia, pois antes da aplicação clínica de uma determinada intervenção, é testada quanto a sua segurança e eficácia em laboratórios, em animais e em seres humanos.

"O fisioterapeuta pode ter um perfil técnico (clínico), assim como científico (pesquisador), determinado pela vocação pessoal".



O fisioterapeuta pode ter um perfil técnico (clínico), assim como científico (pesquisador), determinado pela vocação pessoal. Na atualidade, os dois perfis estão relacionados ao sucesso profissional se estiverem atentos ao que se passa no mundo das pesquisas científicas, se não como pesquisadores, pelo menos como estudiosos dos assuntos e descobertas.

Pesquisar pode ser prazeroso. É uma profissão jovem, uma oportunidade de trabalho de amplo impacto e rentabilidade, além de ter o poder de instrumentalizar o profissional a participar em igual condição técnica frente a quaisquer outros da área de saúde, pesquisa, tecnologia, melhorando, enfim, o seu nível no que diz respeito a conhecimento, resultando em melhoria (já que o saber abre horizontes), bem como do nível do trabalho prestado a favor da comunidade. Isto, por sua vez, acarreta reconhecimento do estudioso e aumento dos rendimentos financeiros do profissional de fisioterapia.

Os órgãos reguladores financiam as pesquisas e gerenciam os seus resultados para que seja melhorada a qualidade de vida dos cidadãos, e o pesquisador é chave principal deste processo. Cabe a ele ajudar nas descobertas e exigir - enquanto ser humano - que os resultados sejam postos em prática, principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS), tão carente de realização e eficácia.

O objeto de estudo da Fisioterapia é o movimento e, por ser um bacharelado, a obtenção do título exige a produção de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que, na maioria dos casos, constitui uma iniciação à pesquisa científica. Embora o TCC tenha sido visto como uma obrigação desinteressante durante muito tempo, a oportunidade do desenvolvimento da pesquisa em Fisioterapia tem apontado para novas direções.

Pesquisar também gera um impacto mais amplo do que a prestação de serviço, pois pode ajudar muito mais pessoas que sofrem com problemas relacionados a um diagnóstico específico, cinesiológico funcional, privativo do fisioterapeuta, e pode gerar uma remuneração bem maior do que muitas outras opções clínicas.

O pesquisador segue a carreira acadêmica com ingresso na graduação, na iniciação científica, nos trabalhos de TCC, no mestrado e doutorado, seguindo-se o pós-doutorado e a livre docência. Os produtos da pesquisa são conhecimento, artigos científicos, livros ou capítulos, trabalhos em congressos, patentes, produtos e principalmente as transformações socioeconômicas. 



A pesquisa pode ser financiada pelo CNPq, CAPES, agências de fomento (FAPESB), empresas, associações, fundações, entidades internacionais ou pelo próprio pesquisador. Há um processo a ser executado, obedecendo aos pré-requisitos dos editais. A pesquisa a ser financiada deve ter objetivos plausíveis, ser factível e ter aplicabilidade prática. Os financiamentos são propostos em editais e normalmente contemplam bolsas, material permanente, material de consumo, viagens, hospedagens, publicação, intercâmbio entre instituições etc. 

A pesquisa em Fisioterapia no Brasil encontra-se num momento muito promissor. Segundo verificação no currículo Lattes dos pesquisadores com graduação em fisioterapia, na obtenção do título de doutorado, houve um crescimento vertiginoso quanto ao número de doutores titulados comparando os anos 1970 a 1990, quando o número era insignificante, com os dias atuais marcando um crescimento expressivo da ordem de 900%. Porém, houve pequeno investimento do CNPq na Fisioterapia comparando com as demais áreas da saúde quanto a bolsas e fomento, denotando uma lacuna a ser ocupada (COURY et al., 2009).

Apesar de a opção de tornar-se um pesquisador ser pessoal e intransferível e depender de muitas horas de dedicação solitária, nada se constrói para si ou sozinho. A tônica é a equipe, a instituição, a melhoria da qualidade de vida da comunidade ao seu entorno, da sua cidade, do seu país e do mundo.  Os dados da pesquisa, inclusive, não pertencem ao pesquisador e sim à instituição que a abrigou, a quem financiou a pesquisa, a quem comprou o produto ou patente e, principalmente, à sociedade em geral.

Imbuído do espírito de percorrer um caminho tão nobre e vantajoso, quais são os passos, o que é necessário para pesquisa? Ter clara a pergunta de investigação; efetuar revisão da literatura e determinação da lacuna do conhecimento; traçar o desenho do estudo; conhecer a viabilidade; elaborar o projeto; encaminhar ao Comitê de Ética em Pesquisa; buscar o financiamento e pertencer a uma equipe COMPROMETIDA!

Outro fator importante é a viabilidade prática da pesquisa, o local adequado (laboratórios / ambulatórios), grupo de pesquisa com capacidade agregadora, colaboração entre serviços ou laboratórios, acesso aos editais de fomento para captação de recursos, produtividade (publicações, orientações, bancas, apresentações em eventos nacionais e internacionais) e integração da graduação com a pós-graduação.  

Corajosamente, muitos colegas estão mostrando que é possível. A melhoria da qualidade dos serviços prestados baseados em evidência e a titulação na escalada acadêmica darão ao fisioterapeuta, assim como aos demais profissionais da área de saúde, a igualdade de condições em todos os níveis de discussão e, principalmente, na referência dos honorários. Hoje, a tabela de referência dos honorários dos fisioterapeutas é uma das mais baixas do mercado e esta condição precisa ser mudada.

Referências:

Referências:

 FITZGERALD, Kelly; DELITTO, Anthony. Considerations for Planning and Conducting Clinic-Based Research in Physical Therapy. Physical Therapy v. 81, n.8, 2001.

 ™ COURY, HJCG; Vilella I. Perfil do pesquisador fisioterapeuta brasieliro. Rev Bras Fisioter, v.13, n.4, p.356-63, 2009. 

 ™ COSTA LOP et al. Transparent reporting of studies relevant to physical therapy practice. Rev Bras Fisioter, v.15, n.4, p.267-71, 2011.

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