Publicada em 06/02/2019 às 14h48. Atualizada em 06/02/2019 às 14h54

Incontinência urinária em gestantes: saiba os principais fatores

Ela pode parecer “normal” durante o período gestacional, mas compromete a qualidade de vida da gestante e pode ser tratada.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A prevalência de incontinência urinária (IU) na gravidez tem um aumento significativo de acordo com sua evolução, por conta das alterações fisiológicas e mecânicas que ocorrem e tendem a se modificar durante este período.  Essa disfunção representa um  problema importante de saúde pública e é determinado por inúmeros fatores de risco, em que durante a gestação, é um período de transformações fisiológicas e mecânicas, pode-se evidenciar as alterações do sistema urinário. Estudos afirmam que a natureza dos sintomas urinários durante a gestação está relacionada com os fatores de risco e seu desconhecimento, bem como a IU em si.

Várias evidências demonstraram que ao longo do trimestre gestacional pode se obter diferentes resultados quanto à prevalência da incontinência urinária.  Alguns pesquisadores observaram que a maioria das gestantes não relatou perda de urina durante o primeiro trimestre e as que estavam no terceiro trimestre referiram perda de urina aos esforços.

Porém o relato não é dominante. Outro grupo de pesquisadores observou que a maioria das incontinentes estavam no segundo trimestre de gravidez e um terceiro estudo apontou que a prevalência dos sintomas urinários era no  terceiro trimestre gestacional.  

Em um estudo realizado no Hospital da Universidade de Gondar, o pesquisador Abey Bekele verificou que as prevalências dessa disfunção encontrada nos achados desta revisão evidenciaram-se nas mudanças no primeiro e terceiro trimestre de gravidez.  

As prevalências dessa disfunção encontrada entre os estudos evidenciaram-se nas mudanças no primeiro e terceiro trimestre de gravidez, verificando que de 224 gestantes, 39,76% estavam no terceiro trimestre e 78,37% relataram incontinência urinária de esforço, sendo observados que o volume uterino e os níveis hormonais diferem entre o primeiro e terceiro trimestre da gestação.

O estudo de Abey  Bekele  possui  uma  complexa abordagem, pois detalhou a relação entre a IU com multivariados, notando que a prevalência da IU foi vista nas gestantes que estavam no terceiro trimestre  de  gestação,  sendo  associado  a  fraqueza  dos músculos  do  assoalho pélvico,  além  da  maioria  ter  apresentado IU durante a gestação anterior. 

Uma associação significativa de IU foi encontrada com episiotomia (incisão efetuada na região do períneo (área muscular entre a vagina e o ânus) para ampliar o canal de parto), bem  como  da  IU  com  algum  problema  respiratório durante a gravidez. De maneira complementar, o pesquisador Semra Kocaöz observou em seu estudo que de 393 gestantes  a  prevalência  de  IU  foi  de  27%,  sendo verificado o histórico de infecção do trato urinário: histórico da mãe, histórico da irmã com IU, na gestação anterior e no período de pós-parto anterior, tendo predomínio nas gestantes que se encontravam no terceiro trimestre.

Outros estudos e outros indicadores

A pesquisadora da USP Maria Luiza Gonzalez Riesco analisou a incontinência urinária e sua relação com o fator idade, bem como maior número de gestações, de partos e de partos vaginais anteriores, com trauma perineal, sobrepeso e obesidade, IU prévia e força muscular do assoalho pélvico <30 cmH2O (centímetro de água). 

Em um estudo mais recente, foram analisadas as variáveis idade e sobrepeso, onde gestantes acima de 35 anos, que estivessem acima do peso ou tendo perdas de urina menos de uma vez por mês antes da gravidez, podem estar entre os fatores de risco significativos para o desenvolvimento da IU. 

Diante dos resultados, observa-se que os fatores idade e sobrepeso sobrepõem-se aos demais. Estudo realizado no Hospital San Pedro, na Espanha, demonstra que mulheres nas categorias mais elevadas de IMC apresentaram menor índice socioeconômico, menor nível de escolaridade e pouca prática de exercício físico e as mulheres com maior idade apresentarem  mais  probabilidade de  desenvolverem  IU.

Impacto na Qualidade de Vida

Apesar de toda a discussão relacionada à prevalência e fatores de risco terem sido levantadas, não se pode esquecer de ressaltar os aspectos psicossociais e o impacto da IU na qualidade de vida dessas gestantes.   Quanto à percepção da IU, muitas mulheres grávidas consideram o problema como uma alteração fisiológica normal da gravidez e acabam não relatando aos profissionais  da  saúde  que  as  acompanham, avaliando sua qualidade de vida como minimamente afetada pelo problema. 

Conclusão

"há um aumento gradativo da disfunção do assoalho pélvico com a evolução da gestação, prejudicando as atividades de vida diária e o bem-estar." 

A partir deste presente estudo acerca das repercussões da IU em gestantes, verifica-se que há um aumento gradativo da disfunção do assoalho pélvico com a evolução da gestação, prejudicando as atividades de vida diária e o bem-estar.  Observa-se que o útero gravídico passa por alterações hormonais ao longo dos trimestres gestacionais, sendo mais acentuados com a maior idade. 

Foi visto também que mulheres obesas e que passaram por partos vaginais, podem desencadear a incontinência urinária. 

Confira a versão do artigo científico na íntegra. 

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Palavras Chave:

urologia fisioterapia gravidez
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