Publicada em 13/03/2019 às 14h03. Atualizada em 13/03/2019 às 14h54

Infecções mais comuns na cavidade oral de pacientes em UTI

Dificuldade de realizar a higiene oral afirma-se como uma das principais causas. Saiba mais.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Durante a internação dos pacientes em uma Unidade de Terapia Intensiva, a microbiota comensal da orofaringe (micro-organismos que normalmente habitam esta região anatômica) pode ser substituída por bactérias patogênicas que, por sua vez, podem colonizar o trato respiratório. Como consequência, os pacientes inter¬nados em UTI têm maior risco de desenvolver pneumonia associada à ventilação (PAV).

O risco para o desenvolvimento da PAV se dá por dois fatores significativos: a dificuldade de deglutição e a higiene oral inadequada, sendo sua prevalência na UTI de 3 a 6 vezes maior do que em outros âmbitos hospitalares.

Segundo BLOTS. et al., bactérias aeróbicas gram-negativas são responsáveis por mais da metade de todas as infecções nosocomiais relacionadas à PAV.

Fonte: Interfisio

Um estudo realizado por Cruz MK, Morais TMN e Trevisani DM, em 2014, revelou que o acúmulo intenso de biofilme ocorre após 72 horas de hospitalização. Sendo assim, bactérias orais podem ser transferidas para as vias aéreas inferiores em pacientes com intubação orotraqueal e, também, contribuir para a ocorrência da PAV.

A ocorrência da PAV é preocupante, já que esta condição é bastante comum em pacientes de UTI e provoca um aumento significativo do número de óbitos, prolonga o período de internação e exige mais medicamentos, cuidados e, consequentemente, maiores custos.

Além das infecções bacterianas, é comum que pacientes internados em UTI contraiam infecções fúngicas. Essa população pode apresentar maior colonização por espécies de Cândida, em especial Candida albicans, facilitada pelo baixo pH, higienização deficiente, baixo fluxo salivar, interações com a microbiota, terapia medicamentosa ou deficiência imunológica. 

Fonte: Sage Journals 

Além desses fatores, um estudo realizado por Diamantino LGS, Monteiro BG e Medrado ARAP em 2018 revelou que a presença de candidíase pseudomembranosa está associada diretamente ao tempo de internação. A infecção fúngica foi encontrada exclusivamente em pacientes presentes na UTI há mais de 10 dias.

Dessa forma, a presença do cirurgião-dentista nas unidades de terapia intensiva, pode proporcionar um diagnóstico e tratamento precoce dos quadros infecciosos que possam acometer os pacientes, reduzindo o risco de infecção sistêmica, o tempo de internação e os custos hospitalares.

Referências:

DENNENSEN, P. et al. Inadequate salivary flow and poor oral mucosal status in intubated intensive care unit patients. Critical Care Medicine, v. 31, n3, p. 781-6, março de 2003.

CRUZ, M.K.; MORAIS, T.M.N.; TREVISANI, D.M. Avaliação clínica da cavidade bucal de pacientes internados em unidade de terapia intensiva de um hospital de emergência. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 23, n. 4, p. 379-83, 2014.

BADIEE, P.; ALBORZI, A.; JOUKAR, M. Molecular assaytodetectnosocomialfungalinfections in intensivecareunits. European Journal of Internal Medicine, v. 22, n. 6, p. 611-15, 2011.

SIQUEIRA, J.S.S. et al. Candidíase Oral em Pacientes Internados em UTI. Revista Brasileira de Odontologia, Rio de Janeiro, v. 71, n. 2, p. 176-9, 2014. 

BLOT, S. et al.  Prevalence and Risk Factors for Colonisation withGram-Negative Bacteria in an Intensive Care Unit. Acta Clinica Belgica, v. 55, n. 5, p. 249-256, 2000 

BATISTA, S.A. et al. Alterações orais em pacientes internados em unidade de terapia intensiva. Revista Brasileira de Odontologia, Rio de Janeiro, v. 71, n. 2, p. 156-9, 2014.

DAMASCENA, L.C.L. et al. Factors associated with oral biofilm in ICU patients with infectious diseases. Revista de Odontologia da UNESP, v. 46, n. 6, p. 343-50, 2017.

CRUZ, M.K, MORAIS, T.M.N, TREVISANI, D.M. Avaliação clínica da cavidade bucal de pacientes internados em unidade de terapia intensiva de um hospital de emergência. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 26, n. 4, p.379-83, 2014.

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