Publicada em 07/07/2011 às 18h44. Atualizada em 02/11/2011 às 06h56

Malhação para pacientes com câncer?

Exercícios físicos promovem melhor qualidade de vida a pacientes em tratamento

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O papel da fisioterapia oncológica, em um primeiro momento, é dar sustentação para que o paciente  submeta-se ao tratamento do câncer com o menor risco possível.

Procedimentos como cirurgia, quimio e radioterapia fazem parte do vocabulário comum quando o assunto é o tratamento do câncer, mas pouca gente sabe da participação do profissional de fisioterapia na missão de prevenir sequelas provenientes de cirurgias de extração de tumores malignos, de promover a reabilitação pós-cirúrgica, minimizar o efeito das drogas e tornar a vida do paciente mais confortável no caminho da cura.

O papel da Fisioterapia Oncológica, em um primeiro momento, é dar sustentação para que o paciente submeta-se ao tratamento do câncer com o menor risco possível. Especialmente àqueles que têm um perfil mais carente e que chegam com a doença em estado avançado e com alto grau de desnutrição. Alguns tipos de câncer já são considerados curáveis e a fisioterapeuta vai atuar para dar ao paciente uma melhor qualidade de vida. Depois disso, a tarefa volta-se para a reabilitação do paciente, por conta das sequelas deixadas pelo tratamento que, em geral, é bastante agressivo.

A quimioterapia, por exemplo, é um procedimento que traz muita náusea e provoca um estado de fadiga muito grande, por conta das drogas que são usadas. Dessa maneira, o fisioterapeuta  propõe exercícios físicos que poderão atenuar esse mal-estar. Parece contraditório colocar uma pessoa que já está cansada para fazer atividade física, mas não é.  Tudo vai depender  da prescrição feita por um especialista, que observa sempre fatores como a idade e a condição clínica e funcional do paciente.

Geralmente propomos exercícios leves, com pouca repetição e de baixa intensidade.  Poderá ser utilizado um arsenal de equipamentos para estimular o paciente como, por exemplo, a bola suíça, aquela que é usada comumente em aulas de pilates e pesos de meio quilo na mão para exercitar a musculatura.  Para reduzir os efeitos colaterais próprios do tratamento como vômitos, falta de apetite, náusea e prostração, é preciso colocar o corpo em movimento para que as drogas sejam metabolizadas mais rapidamente.  Se o paciente fica em repouso, a tendência é que o efeito das drogas se prolongue.

A fisioterapia oncológica é indicada para todos os pacientes que tenham qualquer tipo de câncer. Não há contraindicação absoluta.

Já a radioterapia, que é aplicada sobre a lesão, traz como reação adversa  a retração, o encurtamento dos tecidos moles como pele e tendões, o que passa a limitar os movimentos do indivíduo. No caso de uma mulher com câncer de mama, a mastectomia compromete a circulação linfática do local e do braço do lado operado. Com a radioterapia, a aplicação feita  na região, limita ainda mais os movimentos do braço. Muitas vezes, gestos corriqueiros como pentear o cabelo ou escovar os dentes tornam-se tarefas difíceis. Para devolver a função do membro, nesse caso, é feito um trabalho de alongamento da pele, músculos e tendões.

Para homens que fizeram cirurgia na laringe (tumores desse tipo acometem mais o público masculino), que passam a respirar pelo orifício da traqueostomia e não mais pelo nariz, precisam ser educados para a  sua nova realidade. Vamos trabalhar com a reeducação respiratória e com a correção da postura, que fica comprometida e pode prejudicar a respiração.

Infelizmente nem todo paciente pode ser curado, mas nem por isso a fisioterapia oncológica deixa de agir. Essa pessoa vai precisar de cuidados paliativos, que vão auxiliar  na minimização das dores e permitir que a pessoa viva o tempo que lhe resta com todo conforto e independência possíveis.

Outro papel que cabe ao fisioterapeuta especializado em cancerologia é o de envolver a família e cuidadores  no processo. Eles são sempre chamados a aprender para que tratamento continue em casa. Em se tratando de crianças, é ainda mais imprescindível que os pais deem continuidade ao que o fisioterapeuta propõe, para não haver interrupção e colocar tudo a perder. O que se ensina aos familiares, entre outras coisas, são as formas de se colocar o paciente sentado ou em pé, a maneira de caminhar, como mudá-lo de posição na cama, facilitar a respiração e estimular a circulação.

A Fisioterapia Oncológica é indicada para todos os pacientes que tenham qualquer tipo de câncer. Não há contraindicação absoluta. O que tem que acontecer é uma prescrição adequada para cada caso e  a constante reavaliação do tratamento, pois a cada dia o paciente pode se encontrar em um estado físico ou psicológico diferente. Como o câncer é muito associado à morte, ele poderá ter momentos de depressão e menor motivação. Assim, o profissional precisa estar capacitado para lidar com essas ocorrências.  Portanto, é preciso observar também a necessidade de um atendimento multidisciplinar, que envolva profissionais de diversas áreas, inclusive da psicologia.

Ainda são poucos os fisioterapeutas especializados em cancerologia. Em Salvador, são somos apenas dois. No Brasil, a especialização é relativamente nova.

Ainda são poucos os fisioterapeutas especializados em cancerologia. Em Salvador, somos apenas dois. No Brasil, a especialização é relativamente nova. A primeira surgiu com a fundação da Sociedade Brasileira de Fisioterapia em Cancerologia, em 2000.  Por conta disso, o número ainda é baixo para a demanda. Felizmente, a  Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública tem planos de montar um programa de capacitação em oncologia no ano que vem.

A falta de especialização formal não impede que fisioterapeutas atendam pacientes com câncer e ajudem a melhorar a qualidade de suas vidas, mas a capacitação na área permite um atendimento melhor e mais focado nos cuidados especiais que essas pessoas necessitam.

SOBRE O CÂNCER

O câncer é um processo de crescimento e disseminação sem controle de células. Ele pode aparecer em praticamente qualquer lugar do corpo. O tumor começa a invadir os tecidos ao seu redor e pode espalhar-se para outros pontos distantes do organismo. Muitos tipos de câncer poderiam ser prevenidos, evitando-se a exposição a fatores de risco comuns, como o cigarro.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 40% das neoplasias (processo patológico que resulta no desenvolvimento de um tumor) são evitáveis,  com a abstenção do fumo, com uma alimentação saudável e  exercícios regulares. Além disso, uma porcentagem importante de câncer pode ser curada com cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, especialmente se detectado em uma fase inicial.

A OMS estima que no ano de 2005 morreram de câncer cerca de 7,6 milhões de pessoas, o que representa 13% das mortes em todo o mundo. A organização alerta que, se não forem tomadas medidas urgentes, contando-se de 2005 até 2015, morrerão cerca de 84 milhões de pessoas por conta desse tipo de enfermidade. A doença atinge mais os países pobres do que os ricos. Mais de 70% das mortes concentram-se em países de desenvolvimento baixo e médio.

Fonte: OMS

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