Publicada em 05/07/2012 às 00h00. Atualizada em 05/07/2012 às 11h45

Mente, corpo e espírito: uma só saúde!

Conhecida como Medicina Integrativa, nova proposta de compreensão da saúde do ser humano vem ganhando força e tem respaldo da OMS

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"Atualmente, está sendo amplamente divulgada a influência da prática religiosa na melhora da saúde física e mental dos indivíduos e a repercussão na qualidade de vida".

A Medicina Integrativa tem como proposta entender e tratar o ser humano na sua totalidade, ou seja, cuidando-o em suas quatro dimensões (física, emocional, mental e espiritual) a partir da soma de conteúdos próprios da medicina convencional com práticas holísticas ditas anteriormente como alternativas. A sua projeção maior se deu na década de 1980, nos Estados Unidos, e, atualmente, encontra-se relativo número de publicações fornecendo o embasamento científico necessário às diversas técnicas antes ditas como alternativas. 

Essa nova visão no tratamento da saúde está interligada à espiritualidade que, por sua vez, relaciona-se à busca individual de respostas para questões sobre o significado e o propósito da vida, assim como sobre uma dimensão que vai além das realidades consideradas normais na vida humana. O conceito de religiosidade relaciona-se com a organização institucional e doutrinária de determinada forma de vivência religiosa, baseada em práticas e rituais de uma coletividade. 

Atualmente, está sendo amplamente divulgada a influência da prática religiosa na melhora da saúde física e mental dos indivíduos e a repercussão na qualidade de vida. Como mensurar parâmetros afeitos à espiritualidade é mais difícil, discutir as práticas religiosas tornou-se um alvo mais tangível de interseção entre saúde física e mental X religiosidade.



Hoje o cuidado com a saúde está se ampliando ao considerar as necessidades pessoais e coletivas a partir do conceito da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que saúde deixou de ser a simples ausência de doença, para ser um estado de bem-estar físico, emocional, laboral e social. É esperado que os profissionais se capacitem em atender minimamente a essas necessidades e, por isso, ao se deparar com a sua responsabilidade de atender a demanda vinda do público a que assiste, se volte para buscar estratégias diferentes na tentativa de  suprir essa necessidade. É natural que, em momentos de crise (doença), as pessoas se voltem para uma dimensão que lhes dará conforto e acolhimento (religião= re-ligare – ligar-se a Deus novamente).

"É natural que, em momentos de crise (doença), as pessoas se voltem para uma dimensão que lhes dará conforto e acolhimento (religião= re-ligare – ligar-se a Deus novamente)".



O desenvolvimento da espiritualidade é algo particular e individual do ser humano e, por isso, requer uma predisposição para buscar a conexão interior com essa dimensão. O que ocorre atualmente é o aparecimento de oportunidades de discussão em várias instituições sobre esse aspecto e a oferta de vivências de práticas de interiorização pessoal como a meditação, yoga, massagem integrativa, relaxamento e visualização criativa etc.

Buscar a espiritualidade na religião é a prática mais corrente e que parece dar às pessoas o sentido de direção concreta na sua conexão com o invisível, com o DIVINO. Quem não tem o desejo de obedecer a um sistema de rituais, cultos e práticas próprias de determinada religião, poderá sim despertar para a espiritualidade através de outros meios mais individualizados de busca do sentido da vida, de encontro com uma dimensão invisível que transcende o aqui e o agora.

"Quem não tem o desejo de obedecer a um sistema de rituais, cultos e práticas próprias de determinada religião, poderá sim despertar para a espiritualidade através de outros meios mais individualizados de busca do sentido da vida..."

Estudos já mostram que pacientes filiados a qualquer tipo de crença ou prática religiosa têm uma sobrevida maior, uma melhor qualidade de vida e menor número de acometimentos clínicos/internações do que aqueles que não as têm. Atribui-se a isso uma diminuição da ansiedade e consequente maior motivação para enfrentamento das situações conflitantes da vida diária, até mesmo dos momentos de adoecimento que repercutirão no seu sistema imunológico e em todo o sistema nervoso autônomo que regula muitas das nossas funções orgânicas. O profissional de saúde pode dar atenção e estimular a manutenção de práticas que positivamente fazem bem ao seu assistido, respeitando o seu credo, sem julgamentos ou críticas.

Entendo que será mais prudente e adequado o profissional de saúde estar aberto para esse tipo de diálogo, mas esperar sempre a demanda natural do seu paciente por tratar-se de assunto de foro íntimo em que algumas pessoas não se sentem à vontade para compartilhar. Em qualquer situação, o desejo, as crenças e quaisquer sentimentos das pessoas devam ser respeitados para que se estabeleça uma relação de confiança. 

Ainda temos muito caminho a percorrer não só no Brasil mas em todo o mundo. Se compararmos o número de publicações sobre Medicina Convencional e Medicina Integrativa, veremos que ainda é incipiente o aporte desta última. É provável que esta próxima década seja decisiva para a consolidação de novos conceitos nessa área.

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