Publicada em 31/01/2019 às 13h21. Atualizada em 31/01/2019 às 13h49

O papel da mídia e da escola no trato do adolescente com depressão

Confira a segunda parte do artigo “Aspectos psicossociais no adolescente depressivo”.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Depressão na adolescência: intervenção e tratamento

Os estudos de Abaid, Aglio e Koller (2010), que realizaram uma pesquisa com crianças e adolescentes institucionalizados, evidenciaram que há necessidade de trabalhos interventivos nas escolas e nas famílias, a fim de ressaltar a importância desses modelos constituintes e denominados em redes de apoio.

Além disso, a mídia exerce um panorama, considerado como uma espécie de catalisador à depressão, no qual a sociedade recebe muitas informações e padrões de vida, se deparando com influências de corpo e rostos perfeitos que acabam trazendo um sentimento de desconforto e fracasso pelos adolescentes. 

Percebeu-se que o adolescente pode desenvolver alguns sentimentos negativos para si, como uma baixa autoestima e a falta de determinação e de confiança em si, se tornando desprotegido para a síndrome depressiva. A fantasia ligada ao corpo e à vida perfeita são transmitidas pela mídia, televisão ou revistas de estética, que influenciam diretamente e indiretamente, contribuindo para o desenvolvimento de cobranças internas e buscas insensatas, causando sofrimento psíquico.

Refletindo sobre o aspecto sociodemográfico, no Brasil, há uma considerável evasão escolar, indicando alguns dos motivos desses jovens de não permanecerem na escola, pois, muitos desde o início da adolescência são impulsionados a ingressar no mercado de trabalho e, assim, ajudar na renda familiar. Devido à falta de orientação, os púberes podem ficar vulneráveis à prostituição e a delitos, ficando suscetíveis ao contato com as drogas e doenças transmitidas sexualmente, podendo este ser um dos motivos para o grande aumento do índice de depressão em indivíduos cada vez mais jovens.  

Estudos também pontuam que fatores, como o fracasso escolar, a renda econômica baixa e o abuso de álcool são indicativos para o transtorno de conduta.  Pesquisadores também chama a atenção para o tempo em que os jovens ficam na internet, televisão e no computador, como um alto indicador para o transtorno depressivo, principalmente nos meninos.

"A instituição escolar é um agente facilitador que poderá agir de modo a identificar possíveis alterações no comportamento de seus alunos e alertar os responsáveis, para a procura de ajuda especializada." 

A instituição escolar é um agente facilitador que poderá agir de modo a identificar possíveis alterações no comportamento de seus alunos e alertar os responsáveis, para a procura de ajuda especializada. Dessa forma, favorecerá a busca pela saúde mental.  Sendo assim, é necessário que a tríade “escola – família – educadores” contribua na prevenção, apresentando, dentro do contexto escolar, um profissional capaz de responder às perguntas dos adolescentes relacionadas ao assunto.  

A falta de informação sobre a depressão acaba contribuindo para o agravamento da saúde do adolescente, sendo vista apenas como algo passageiro e comum na adolescência, trazendo uma dificuldade para o diagnóstico. Portanto, a escola é um agente facilitador para identificar a possibilidade de o adolescente estar em sofrimento psíquico e, assim, auxiliar os responsáveis do adolescente.

Esse profissional especializado necessita de aprimoramento e entendimento sobre o desenvolvimento emocional e  biológico  das  diferentes  idades,  sobretudo,  ser compreensivo com relação às dificuldades do aluno, compartilhando a  responsabilidade  com  todos aqueles que formam a rede de proteção e de cuidados com o  adolescente  depressivo. 

Além disso, a carência de conhecimento sobre a depressão acaba contribuindo para o agravamento da saúde do adolescente, sendo vista apenas como algo passageiro e comum na adolescência, trazendo uma dificuldade para o diagnóstico. Portanto, a escola é um agente facilitador para identificar comportamentos e sintomas atrelados ao sofrimento psíquico, sendo uma unidade social fundamental para o auxílio junto aos responsáveis do aluno.

Veja a versão do artigo científico na íntegra:

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