Publicada em 18/12/2018 às 00h00. Atualizada em 18/12/2018 às 13h59

Qual o papel do zinco na saúde?

A nutricionista Daniele Peters explica sobre a função do zinco no funcionamento do organismo.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Os minerais, assim como as vitaminas que o organismo humano necessita para seu bom funcionamento desempenham uma função metabólica de alta especificidade e que não pode ocorrer sem o seu fornecimento.

"Entre as funções dependentes desse nutriente, destacam-se as relacionadas ao metabolismo de ácidos nucleicos, à divisão celular e ao crescimento."

O zinco funciona em associação com mais de 300 enzimas diferentes, o que demonstra sua importância para o bom funcionamento do metabolismo. 

Entre as funções dependentes desse nutriente, destacam-se as relacionadas ao metabolismo de ácidos nucleicos, à divisão celular e ao crescimento. Ele também participa das reações de síntese e degradação dos carboidratos, proteínas e gorduras e atua no aumento da imunidade, melhorando os resfriados. 

Os primeiros estudos que relacionavam o zinco e o crescimento foram realizados no Irã e Egito há quase três décadas. Meninos chamados de “nutricionalmente anões” foram caracterizados pela baixa estatura, anemia por deficiência de ferro e atraso da maturidade sexual. Contudo, apresentaram melhora significativa com a suplementação de zinco. 

Assim como em crianças, hoje é bastante comum (o que não deveria) ser encontrada essa deficiência também em adultos. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) ressaltou a deficiência de zinco como um dos 10 principais fatores que contribuem para doenças nos países em desenvolvimento.  

 A Ingestão Dietética de Referência (DRIs) recomenda que, para sexo masculino haja uma ingestão diária de 11mg/dia, para mulheres, de 8 mg/dia,  para lactentes nos primeiros seis meses, uma ingestão de 2mg/dia e, para os seis meses seguintes, de 3mg/dia.

O aproveitamento biológico do zinco, ou seja, a quantidade de mineral ingerido que efetivamente permanece disponível para o desempenho de suas funções, pode ser afetado pela presença de determinados componentes da dieta. Entre eles, estão outros minerais, fitatos (derivado do ácido fítico) e fibra alimentar. 

A ação dos minerais ocorre porque todos apresentam semelhanças estruturais muito grandes, o que faz com que as vias empregadas para sua absorção sejam bastante parecidas. Assim, o zinco pode ter sua absorção prejudicada, caso haja uma quantidade muito grande de outro mineral, como o cálcio, por exemplo, que irá atuar como concorrente pelo uso do canal de absorção. 

Fitatos são constituintes dos vegetais, muito comuns em cereais integrais e produtos derivados, que apresentam carga negativa, e por essa razão, ligam-se ao zinco, que apresenta carga positiva. Essa combinação resulta em um composto que não apresenta condições de absorção, o que determina que o mineral ingerido com a dieta seja eliminado pelas fezes. 

A ação das fibras ocorre por um mecanismo bastante parecido, embora bem menos importante. É certo, portanto, que os alimentos de origem animal apresentam zinco de melhor aproveitamento. 

Para a maioria dos norte-americanos, 80% da ingestão diária do zinco é fornecida por carne, peixes, aves, cereais de café da manhã prontos para serem consumidos e fortificados com zinco, leite e seus derivados. As ostras são fontes ricas também de zinco, assim como outros mariscos, fígado, cereais de grãos integrais, feijões secos e nozes. Os derivados de soja também podem ser fontes muita boas do zinco. De uma forma geral, a ingestão do zinco está associada a ingestão da proteína, então, sempre fique bem ligado.

Os sintomas de deficiência do zinco são variados, entre eles destacam-se o retardo do crescimento e maturação sexual, alopecia e dermatite (danos à cabelos, peles e unhas), cicatrização de ferimentos demorada, lesões cutâneas, apetite, olfato e paladar prejudicados, deficiências imunológicos, distúrbios do comportamento, lesões (incluindo fotofobia e cegueira noturnas).

"Estudos conduzidos com crianças que apresentam baixa ingestão de zinco mostraram que a presença do mineral na dieta pode ajudar a reverter a gravidade de ocorrências de diarreia e pneumonia..."

Estudos conduzidos com crianças que apresentam baixa ingestão de zinco mostraram que a presença do mineral na dieta pode ajudar a reverter a gravidade de ocorrências de diarreia e pneumonia, o que é um importante recurso auxiliar para o combate desses problemas de saúde pública que estão entre as principais causas associadas à mortalidade infantil.

A deficiência ocorre primeiramente com uma mobilização das reservas funcionais e, caso prolongue-se, provoca outros sintomas e reações mais complicadas, associados a “hipogeusia” (acuidade do paladar diminuído), cicatrização de feridas mais lenta, alopecia e diversas formas de lesões cutâneas. As pessoas que ingerem muita bebida alcoólica também têm uma redução de zinco orgânico, assim como as grávidas e os idosos, também têm risco aumentado de deficiência. A deficiência de zinco resulta em vários defeitos imunológicos. 

Tem-se observado que os problemas causados pelas baixas ingestões de zinco têm aumentado, em parte devido à baixa biodisponibilidade do zinco na alimentação. 

Até os atletas podem ter risco de deficiência, pois a atividade física pode aumentar a mobilização de zinco dos estoques ósseos para as necessidades celulares. 

Inúmeras descobertas sobre as funções do zinco têm sido objetos de estudo, visando a sua grande importância na saúde da população. Várias pesquisas mostram os resultados promissores da suplementação com zinco no tratamento da diarreia, na melhora de infecções oportunistas em aidéticos, nas alterações do paladar, na melhora do hipogonodismo.

Por isso, fique sempre atento à sua saúde e, para um melhor esclarecimento, procure um nutricionista para lhe orientar com relação à suplementação desse importante mineral em sua alimentação, visando prevenir e/ou tratar deficiências nutricionais.

 “Sua saúde em primeiro lugar!”

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