Publicada em 31/10/2018 às 00h00. Atualizada em 31/10/2018 às 15h08

O que faz a Radiologia Forense?

O professor e especialista em imaginologia médica, Antônio Silvestre explica o assunto.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A radiologia forense é a utilização desse método científico para fins jurídicos, sociais, ou seja, usar essa ciência na solução de crimes, documentar provas que garantam culpabilidade, inocência ou apenas provar a existência de um fato.

Historicamente, a aplicação da radiologia forense foi introduzida imediatamente um ano depois da sua descoberta, em 1895, pelo alemão Wilhem Conrad Rotgem que, no ano seguinte, demonstrou a presença de balas de chumbo na cabeça de uma vítima ferida na guerra. Esse fato foi o pioneiro a ajudar a elucidar a causa da morte. O registro desse episódio abriu espaço para o uso do método para identificação humana forense. No ano de 1927 foi relatada a primeira identificação radiológica completa e, em 1951, foi publicado o 1º trabalho a respeito do emprego da técnica radiográfica em um processo de identificação de corpos de um desastre de massa.

Métodos

Os métodos em diagnósticos por imagem ou imaginologia médica são muitos, Raios-X, tomografia computadorizada, ressonância magnética, Medicina Nuclear, ultrassom, mamografia e densitometria óssea. Essas especialidades são oferecidas em nosso estado, exemplo da Escola Bahiana de Medicina que oferece a pós-graduação em bioimagem, com estágio de 500 horas. Logo, o indivíduo deve buscar, em seguida, um curso de Medicina Legal ou outro na área forense como fazem os médicos e dentistas, que investem e depois se transformam em médico-legista e perito odonto-legal. Já os tecnólogos em radiologia ou biomédicos, podem tornar-se peritos criminais e usar seus conhecimentos de imagens para ajudar na esfera jurídica. Isso tudo, após o concurso, é claro, estadual ou federal. 

Novas tecnologias aplicadas à radiologia forense

Hoje, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética são as novas aliadas na área forense. Essas ferramentas constituem um imprescindível protocolo de identificação de pontos craniométricos, isto é, capaz de demonstrar com precisão e, em minutos, resultados que poderiam esperar meses na identificação de estruturas esqueletizadas. Com a aquisição de software avançados, é possível também realizar reconstrução facial 3D. A ideia é permitir, ampliar informações que ajudem e melhorem as chances de reconhecimentos dos familiares quando são encontrados restos mortais sem identificação.

A ressonância magnética usa também softwares especiais para utilização na imaginologia médica de superposição de imagem, para estudo do método de crânio-foto-comparativo. Como a ressonância oferece condições de diferenciação tissular, isto é, visualiza melhor partes moles e separa, músculo, gordura, água e outras substâncias, esse método tornou-se uma ferramenta poderosa nas mãos dos peritos. A espectróscopia por ressonância consegue identificar o uso de drogas em até quem deixou de usar há cinco anos.

O que é possível identificar através de uma radiologia?

Ao encontrar um corpo carbonizado, ou ainda com roupas (que não indica sexualidade e sim orientação sexual), é possível, com exame de imagem, diferenciar detalhes da anatomia que distingue homem e mulher, densidade mineral óssea, para saber se era jovem ou idoso, ossos do punho para confirmar a idade aproximada do adolescente, se houve fratura no corpo e se foi antes ou depois da morte.

Então, pode-se concluir que a identificação humana é extremamente importante, não só na esfera legal como também na social e, para tanto, a radiologia , assim como a imaginologia médica, contribuem espetacularmente para determinação, com precisão, na identificação de uma pessoa. Esse método constitui uma ferramenta segura, confiável, rápido e prático, além de barato, se comparado com outros como DNA, de autocusto e de resultado demorado.

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