Publicada em 14/08/2017 às 16h04. Atualizada em 14/09/2017 às 16h55

O que você sabe sobre Ortotanásia?

Saiba quando a insistência na cura fere a dignidade humana e porque a morte natural deve ser respeitada.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"A incurabilidade de uma doença, e sua consequente progressão não indica o final do tratamento, mas demanda a mudança dos objetivos da intervenção".

Ainda é predominante a filosofia médica que privilegia o prolongamento da sobrevida de pacientes com diagnósticos de doenças graves em estado terminal, muitas vezes em detrimento da qualidade de vida. Nessa abordagem, quando não há mais recursos terapêuticos a serem aplicados, a equipe vive um processo de derrota, o que instaura uma morte social precedente à morte biológica. 

A incurabilidade de uma doença, e sua consequente progressão não indica o final do tratamento, mas demanda a mudança dos objetivos da intervenção. Quando a morte é inevitável, e não são oferecidas condições apropriadas de sobrevivência, insistir terapeuticamente na cura pode se tornar uma agressão à dignidade da pessoa. A questão da vida e da morte é provavelmente uma das mais discutidas ultimamente na relação ética e profissional da medicina. 

A ortotanásia vem sendo debatida e conhecida cada vez mais, com a introdução dos cuidados paliativos como forma de preservar dignidade à inevitável terminalidade da vida para pacientes sem perspectiva de cura. No âmbito jurídico, a ortotanásia foi regulamentada pela Resolução CFM 1.805\2006, onde a prática médica passou a ser assegurada legalmente. 



A prática envolve a orientação médica com a participação do paciente e/ou seus familiares ou responsáveis legais na decisão de não prolongar terapêuticas desnecessárias a doenças irreversíveis. O objetivo é trazer menos sofrimento e mais conforto físico, psíquico, social e espiritual durante a assistência integral, respeitando a vontade da pessoa e de seus familiares, tendo tudo devidamente explicado detalhadamente pela equipe de saúde e registrado em prontuário. 

Há instrumentos que asseguram essa decisão delicada, garantindo a autonomia do paciente, como a Diretiva Antecipada de Vontade (ou o testamento vital), e a Ordem de Não Reanimar (ONR). Eles reforçam a decisão de uma pessoa com doença incurável ao informar não querer ser submetida a procedimentos invasivos ou dolorosos, ou que não se empreguem ações de reanimação no caso de uma parada cardíaca. 

 "A Ortotanásia é a aceitação de uma morte natural, que não apressa nem prolonga o processo de morrer".



A importância do conhecimento da ortotanásia, do ponto de vista da saúde pública, pode ajudar na assistência, pois ao diminuir tratamentos obstinados a pacientes sem chances de cura, outras pessoas com doenças reversíveis têm mais probabilidades de ter acesso a tratamentos especializados. 

Por fim, a Ortotanásia é a aceitação de uma morte natural, que não apressa nem prolonga o processo de morrer. Nesse sentido, os cuidados paliativos ajudam o paciente a passar por uma morte natural e sem sofrimento, que o ajuda a partir em paz não atrapalhando esse processo final de sua vida.

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