Publicada em 06/02/2019 às 10h38. Atualizada em 06/02/2019 às 14h54

Perder xixi na gravidez é normal?

Saiba por que a incontinência urinária em gestantes pode comprometer a qualidade de vida.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A Incontinência Urinária (IU) feminina é um importante problema de saúde pública, devido à sua elevada prevalência e/ou elevado impacto físico, psíquico e social na vida da mulher, estando correlacionada, diretamente, com os impactos na qualidade de vida. A Sociedade Internacional de Continência (ICS) define a incontinência urinária (IU) como toda perda involuntária de urina. Trata-se de modificação na definição original, que considerava como IU somente as perdas que causassem desconforto social ou higiênico às pacientes, ou seja, aquelas relacionadas negativamente à qualidade de vida.

A IU inclui-se entre uma das situações que afetam a qualidade de vida das pessoas, pelo comprometimento na vida sexual, social, doméstica, ocupacional, com danos físicos, psicossociais e econômicos, deixando-a vulnerável e submetida a vários problemas pelas restrições que impõe em suas atividades de vida diária, tornando-se um grande problema de saúde pública. 

No Brasil, estima-se que cerca de 50% das mulheres apresenta incontinência urinária, principalmente durante o ciclo gravídico, puerperal e após a idade reprodutiva. A perda urinária pode ocorrer em diferentes situações no cotidiano de vida, causando incapacidades e limitações na atividade física e, nos casos mais graves, limitação  das  atividades  sociais  que  acarretam morbidade entre as mulheres afetadas, como alterações psicossociais, sexuais, a exclusão do meio social para  se  autoproteger  dos  incômodos  provocados pelas perdas urinárias, além da tendência de diminuir a ingestão de líquido, podendo causar infecção urinária e impacto no sistema renal.

O fator de continência mais importante é a rede de sustentação formada pelas fibras do músculo levantador do ânus. Essas fibras  se ligam à fáscia endopélvica, circundando a vagina, e à porção distal da uretra, tracionando-a em direção ao púbis e comprimindo-a contra a fáscia e a parede vaginal durante a contração muscular, mantendo, assim, a luz uretral ocluída. 

Associado a isso, existe a fase de armazenamento, que ocorre quando a bexiga consegue acumular quantidades crescentes de urina em seu interior sem variações significativas de pressão, enquanto os esfíncteres urinários permanecem contraídos, o que estabelece uma pressão intrauretral maior que a pressão vesical. 

Os danos e/ou alterações causados ao assoalho pélvico pela gestação e pelo parto, dentre outros, ocasionam disfunção da musculatura que tende a se agravar após a menopausa. As disfunções do assoalho pélvico (AP) por danos estruturais e funcionais de músculos, nervos, fáscias ou ligamentos podem gerar sintomas, como urgência e aumento da frequência urinária, prolapsos de órgãos pélvicos, além de incontinência urinária (IU) e fecal. 

Durante a gestação, esses sintomas podem estar associados ao efeito da pressão do útero gravídico sobre a bexiga, reduzindo, de forma significativa, a complacência vesical, podendo afetar negativamente a qualidade de vida de gestantes.

Incontinência Urinária: uma epidemia escondida?

Pelo sentimento de vergonha e constrangimento que o quadro causa e pela dificuldade de diagnóstico, por não procurar atendimento para esse problema, a IU configura-se como uma epidemia “escondida”. Da mesma forma, essa condição de saúde, especialmente de mulheres, talvez por falta de informação sobre o assunto, muitas vezes, é negligenciada pelos profissionais de saúde, que deixam de perguntar sobre esse tópico, durante a anamnese ou exame clínico, nas diferentes áreas de atenção à saúde. 

Essa situação constrangedora de perda involuntária de urina tem consequências avassaladoras, causando, muitas vezes, marginalização do convívio social, ameaça à autoestima, frustrações psicossociais e institucionalização precoce , interferindo, também, na sexualidade, alterando, de forma importante, a saúde e a qualidade de vida da mulher.  

A presença de sintomas miccionais, tais como noctúria (quando a pessoa urina muito durante a noite, mais especificamente quando a pessoa acorda para urinar mais de duas vezes durante a noite) e perda urinária, podem interferir negativamente na qualidade de vida durante o período gestacional, e esses sintomas podem intensificar-se, piorando a percepção geral de saúde e impacto da incontinência ao longo da gestação. 

Sabe-se que poucas gestantes com sintomas miccionais procuram ajuda, pois não se sentem à vontade em relatar esses sintomas à família, aos amigos e a profissionais de saúde, além de muitas vezes desconhecerem que esses sintomas podem ser tratados ou controlados.

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Incontinência urinária em gestantes: saiba os principais fatores

Confira a versão do artigo científico na íntegra. 

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Palavras Chave:

urologia gravidez fisioterapia
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