Publicada em 20/11/2018 às 12h15. Atualizada em 20/11/2018 às 13h06

Quando devemos procurar um geriatra?

Você sabe a diferença entre geriatria e gerontologia? Vamos saber mais?

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Muitos mitos e dúvidas rondam a especialidade do médico-geriatra: a partir de qual idade devemos ir, quais doenças ele trata etc. A fim de elucidar essas perguntas, o iSaúde Brasil conversou com o médico-geriatra Lucas Moreira Oliveira.

iSaúde Brasil – A partir de qual idade uma pessoa é considerada idosa, sob o ponto de vista da saúde?

Lucas Moreira Oliveira – Segundo a Organização Mundial da Saúde, temos as idades de 60 e 65 como um ponto de corte para definir os indivíduos idosos, para os países em desenvolvimento e desenvolvidos respectivamente. 

Contudo, além da idade cronológica, devemos observar uma série de fatores biológicos, ambientais, sociais... que fazem com que a pessoa esteja mais próxima de ser um indivíduo saudável ou no outro extremo, em uma situação de maior fragilidade.

iSaúde Brasil – Qual é a diferença entre geriatria e gerontologia?

Lucas Moreira Oliveira – Apesar de sempre aparecerem juntas, podemos dizer que são duas áreas de conhecimento distintas. Quando falamos de geriatria, estamos nos referindo a uma área do conhecimento médico. Sobre o envelhecimento e as doenças associadas ou influenciadas por este processo.

A gerontologia é algo mais amplo, envolve outras questões e outros profissionais. Um educador físico, que desenvolve um trabalho para idosos, um fisioterapeuta e um assistente social, que dentro de sua área desenvolve um cuidado específico para com o idoso são considerados gerontólogos. Estamos falando sobre bem-estar, saúde emocional, saúde financeira e a garantia de melhor acessibilidade, entre outras.

iSaúde Brasil – Quais doenças são tratadas pelo geriatra?

Lucas Moreira Oliveira – O geriatra não cuida de uma doença específica. Esse especialista enxerga o indivíduo como um todo, avaliando situações de maior risco para aquela pessoa, e as que trazem maior prejuízo à sua funcionalidade. Um idoso com doença cardíaca grave, pode se ver mais incomodado e limitado por um problema no pé de menor gravidade e ambas as situações merecem atenção. 

iSaúde Brasil – A partir de que idade deve-se ir ao geriatra?

Lucas Moreira Oliveira – Não existe uma idade exata para procurar um geriatra. O trabalho feito pelo pediatra, pelo clínico e pelo médico de família, de forma adequada e com o cuidado preventivo, garante melhor processo de envelhecimento. Sabidamente, quanto mais frágil e idoso for o indivíduo maior deve ser o cuidado do geriatra e mais ainda esse cuidado se fará necessário.

iSaúde Brasil – Quais são as doenças mais comum nessa faixa etária?

Lucas Moreira Oliveira – Diversas doenças. Na verdade, o que acontece é que a doença que a pessoa possui desde mais jovem, com a idade, tende a progredir e associamos ainda as alterações biológicas que ocorrem com o envelhecimento e com outras doenças que vão surgindo. Mas merecem destaque: a hipertensão e o diabetes, com suas complicações, as doenças neurodegenerativas, as doenças do aparelho osteomuscular, as neoplasias, a ansiedade e a depressão. 

iSaúde Brasil – Fala-se muito que idosos devem estar atentos a gripes, quedas e diarreias. Por quê?

Lucas Moreira Oliveira – O idoso, por melhor saúde que aparente, tende a ter uma menor tolerância a algum agente estressor. O idoso, em situações como as citadas acima, e também a desidratação ou outras infecções, ao contrário do que ocorre com um indivíduo mais jovem e mais robusto,  pode ter maior dificuldade para se recuperar, bem como estar em maior risco para desenvolver complicações. Por isso, é que se deve ter a preocupação com qualquer agravo mais súbito nessa faixa etária.

iSaúde Brasil – A partir de que idade devemos começar a estar atentos e nos prevenir de problemas mais graves na fase idosa da vida?

Lucas Moreira Oliveira – Não tem uma idade exata. Por exemplo, a osteoporose, quanto maior pico de massa óssea conseguimos desenvolver durante juventude, melhor será no sentido de nos prevenir dessa doença. Mas, independentemente de idade, de histórico de doenças ou hábitos de vida, a prevenção sempre é importante e bem-vinda. Então, é ter um acompanhamento médico de forma regular e procurar um geriatra quando houver alguma dúvida quanto ao processo de envelhecimento.

iSaúde Brasil – É verdade que realizar exercícios mentais, como montar quebra-cabeças e jogar palavras-cruzadas, pode prevenir a demência senil?

Lucas Moreira Oliveira – Quando falamos dos transtornos neurocognitivos, devemos lembrar que existem várias causas e que não é algo próprio do processo normal do envelhecimento. Sempre que houver queixas de esquecimentos, deve haver uma avaliação com o geriatra e/ou o neurologista. 

"Sempre que houver queixas de esquecimentos, deve haver uma avaliação com o geriatra e/ou o neurologista."

Essas atividades podem ajudar áreas específicas que são podem ser estimuladas como: atenção, função executiva, memória, linguagem... Contudo, é importante uma avaliação para sabermos quais são as reais dificuldades, e se existe alguma doença e para, assim, estabelecer um tratamento. 

Quanto à prevenção de uma forma mais geral temos a realização de atividade física, uma boa alimentação, o descanso adequado e uma rotina livre de estresse para a redução de risco das demências e de outras doenças.

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