Publicada em 07/04/2017 às 10h58. Atualizada em 18/05/2018 às 11h42

Se abrir com um amigo pode ser muito importante para enfrentar a depressão

Confira a importância de uma atividade comum que, nesse caso, pode ser vital.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ocupa o primeiro lugar entre os países com pessoas apresentando um quadro de depressão e, o quarto, entre as populações mais ansiosas. O cotidiano de violência e riscos imprevisíveis faz com que os brasileiros vivam constantemente em estado de alerta e, dessa forma, em algum momento, a mente não suporta mais tanto estresse e preocupação. É nesse momento que as patologias aparecem. Para falar sobre isso, o iSaúde conversou com a psiquiatra Fernanda Ramallo.

iSaúde Bahia – O que é a depressão?

Fernanda Ramallo – A depressão é uma doença sem causa definida, apesar de existirem diversas correntes de possíveis causas da patologia. Pode se manifestar das mais variadas formas e não somente com choro e tristeza. Pessoas que não conseguem viver sozinhas, que não conseguem ficar paradas, as que dormem muito ou pouco, as que sofrem de ansiedade excessiva ou não, algumas choram demais e algumas não conseguem chorar. As manifestações da doença são variadas, e a depressão pode caminhar sozinha ou acompanhada de outras doenças, inclusive não psiquiátricas, como, por exemplo, deficiência de vitamina b12 e disfunções tireoidianas. A busca de um psiquiatra é essencial mesmo que a pessoa não esteja apresentando os sinais clássicos que todos atribuem à depressão, para que seja feito o correto diagnóstico e, consequentemente, o melhor tratamento.

iSB – Embora seja algo subjetivo, quais são os problemas que, geralmente, mais levam pessoas à depressão?

Fernanda Ramallo – Os problemas são bem variados e isso se deve à importância que cada pessoa atribui a cada coisa. Por exemplo, o término de um relacionamento pode ser devastador para uma pessoa e libertador para outra. Portanto, os motivos podem ser "bobos" para alguns, mas essenciais na vida do outro. Por isso, é importante nunca menosprezar o que causou a depressão no amigo ou familiar, mas sim concentrar-se em ajudá-lo na recuperação.

"O diálogo é, com certeza, um dos pilares mais importantes do tratamento. Quando o paciente está deprimido, ele tem tendência a visualizar sempre o copo mais vazio, sempre o lado ruim de tudo."

iSB – Como a experiência do diálogo pode ajudar alguém a minimizar sua depressão (ou alguns de seus efeitos)?

Fernanda Ramallo – O diálogo é, com certeza, um dos pilares mais importantes do tratamento. Quando o paciente está deprimido, ele tem tendência a visualizar sempre o copo mais vazio, sempre o lado ruim de tudo. Quando essa pessoa se abre com alguém, além de extravasar alguns sentimentos, é possível que a pessoa que está de fora consiga mostrar um outro ângulo da situação. É importante que o indivíduo consiga perceber que nem sempre as coisas são como ele enxerga e valoriza e, por isso, alguém que esteja vendo tudo de fora e "abra seus olhos" torna-se uma peça chave no tratamento.

iSB – Ultrapassar a barreira da desconfiança, do medo de que, depois, seus problemas sejam revelados para outras pessoas, é algo que leva muitas pessoas a sofrerem sozinhas sem buscar o apoio dos amigos? Qual a importância de ultrapassar essa barreira?

Fernanda Ramallo – Com certeza. O preconceito ainda é grande com pessoas que precisam buscar ajuda psiquiátrica. Por incrível que pareça, grande parte da população ainda considera o psiquiatra como um “médico de maluco". Com esse tabu ainda em alta, os pacientes têm medo de se abrir com receio de serem taxados de "malucos". A parte mais importante de ultrapassar essa barreira é proporcionar ao paciente a abertura para falar de seus problemas, não se sentir só e receber o apoio que necessita para a recuperação, que pode variar desde apoio financeiro para o tratamento, como também a companhia de alguém.

iSB – Como se pode aferir que uma população é bastante ou pouco ansiosa ou depressiva, como fez a OMS em relação ao Brasil, dando-nos as posições, respectivamente, de primeiro e quarto lugar nos males acima citados?

Fernanda Ramallo – Essa pesquisa pode ser feita através da aplicação de questionários e também de entrevista sobre a quantidade de pacientes que se tratam com psiquiatra para essas respectivas doenças.

iSB – Pode-se dizer que as doenças emocionais são cercadas de tabus? Quais tabus são esses?

Fernanda Ramallo – Os tabus são inúmeros. Desde o famoso "você vai ao psiquiatra? Quem vai ao psiquiatra é maluco!" Até aquele, também famoso, "para que ir ao médico? Isso é frescura". A maior dificuldade do ser humano é saber se colocar no lugar do outro, se colocar no lugar daquele que está se sentindo mal e sofrendo, mesmo quando não é fácil compreender. Só quem já sofreu ou tem algum familiar que precisa de auxílio é que sabe o quão incapacitantes são as patologias psiquiátricas. Desde uma simples insônia ou uma depressão leve até transtornos esquizofrênicos e alimentares, todos eles carregam preconceitos e julgamentos. Esquece-se de que ali vive um ser humano que teve a sua vida interrompida ou atrapalhada por algo que pode receber tratamento.

iSB – Como a psiquiatria trata os problemas de depressão?

Fernanda Ramallo – Através de medicamentos conciliados com terapia. As indicações são variadas e dependem de diversas nuances que somente o profissional adequado pode identificar. É importante não se prender aos tabus. A vida é uma só e todos têm o direito de ser felizes. É só buscar um tratamento adequado.

Compartilhe

Saiba Mais

     

    Redes Sociais