Publicada em 16/01/2019 às 17h27.

Tenha mais cuidado com suas mãos, no verão, para evitar a hepatite A!

Causas, sintomas, características do tratamento, vacinas... Confira essas e muitas outras informações sobre esse problema.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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iSaúde Bahia – O que é a hepatite?

Bruno Ferreira e Nanci Silva – Hepatite é a inflamação das células do fígado, podendo ocorrer através de infecção por vírus, por uso de bebidas alcoólicas, uso de drogas, fatores genéticos, reação autoimune do organismo, distúrbios metabólicos etc. As formas mais comuns da doença, no Brasil, são as hepatites virais (A, B, C, D e E).

iSB – Por que no verão aumenta o perigo de contaminação por hepatite A? É apenas esse tipo de hepatite que se torna mais contagioso no verão?

Bruno Ferreira e Nanci Silva – Há maior incidência de hepatite A durante o verão, pois, nesse período, as pessoas ficam mais próximas umas das outras, devido às aglomerações nas áreas comuns. Como o hábito da lavagem das mãos é, por vezes, negligenciado pela população em geral, quanto maior a aglomeração de pessoas, maior o risco de contaminação de indivíduo para indivíduo. 

A infecção pelo vírus da hepatite A ocorre por via fecal-oral. Ou seja, o vírus é eliminado nas fezes e passado para as mãos, devido à sua lavagem inadequada. As mãos serão disseminadoras do vírus para a própria pessoa, objetos, alimentos e outros indivíduos. Por fim, a ingestão do vírus efetiva a transmissão. 

Além da hepatite A, por seguir o mesmo mecanismo de transmissão, a hepatite do tipo E tem maiores casos registrados durante o verão.

iSB – Quais são os sintomas da hepatite A? São os mesmos em crianças e adultos?

Bruno Ferreira e Nanci Silva – Os sintomas característicos da hepatite A são: febre, dores musculares, cansaço, mal-estar, náuseas, pele e olhos amarelados (icterícia), fezes esbranquiçadas e urina escurecida. A hepatite A pode ser sintomática ou não. Quanto mais jovem é o indivíduo com infecção, mais leves são os sinais da doença. Desse modo, em crianças, a hepatite A pode ocorrer despercebida ou mesmo ser confundida com uma virose comum. Vale ressaltar que, ainda que não apresente sintomas, o indivíduo com a infecção é capaz de transmitir o vírus.

"Os sintomas característicos da hepatite A são: febre, dores musculares, cansaço, mal-estar, náuseas, pele e olhos amarelados (icterícia), fezes esbranquiçadas e urina escurecida."

 

iSB – A hepatite A pode deixar alguma consequência permanente no corpo do paciente (por exemplo, prejudicar algum órgão)?

Bruno Ferreira e Nanci Silva – Em 99% dos casos, não. A hepatite A não determina hepatite crônica ou cirrose. Contudo, em 1% dos casos pode ocorrer a insuficiência hepática fulminante, havendo necessidade do transplante de fígado.

iSB – Há algum tratamento adequado às pessoas infectadas e que desenvolvem a doença? Ela pode levar o paciente à morte?

Bruno Ferreira e Nanci Silva – Não. O tratamento da hepatite é apenas sintomático, ou seja, os remédios são usados apenas para a amenização dos sintomas. É importante ressaltar também que medicações protetoras do fígado, assim como os chás caseiros, não têm embasamento na ciência médica.

iSB – A vacina contra a hepatite A é facilmente encontrada em postos de saúde, para ser tomada, por exemplo, por alguém que irá fazer alguma viagem? Quanto tempo, antes de aumentar as chances de exposição, a pessoa deve tomar a vacina?

Bruno Ferreira e Nanci Silva – Sim, mas somente para o público-alvo do calendário vacinal. A vacina contra o vírus da hepatite A é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo obrigatória para crianças (de 1 ano até 1 ano e 11 meses), segundo o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde.

Contudo, a Sociedade Brasileira de Imunização recomenda a vacina para crianças e adultos que vivem ou viajam para locais de alta prevalência de infecção pelo vírus, homens que fazem sexo com homens, profissionais de saúde, indivíduos com doença hepática crônica, coagulopatias e usuários de drogas. Na rede privada, as vacinas são disponibilizadas para serem tomadas em duas doses, com intervalo de seis a doze meses. Trata-se, portanto, de uma imunização eficaz e segura.

iSB – Existe e é eficaz uma vacina pós-exposição?

Bruno Ferreira e Nanci Silva – Em casos de impossibilidade da vacinação cerca de três meses antes do período de exposição, recomenda-se o uso de imunoglobulina no período pré-exposição (três meses) e pós-exposição (até duas semanas depois).

iSB – Qual a melhor forma de se precaver?

Bruno Ferreira e Nanci Silva – A prevenção se dá através da lavagem adequada das mãos, cuidado com os alimentos e saneamento básico.

iSB – Conhece estatísticas nacionais sobre esse problema?

Bruno Ferreira e Nanci Silva – Constam as estatísticas exatas no site do Ministério da Saúde.

Palavras Chave:

hepatite A verão higiene
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