Publicada em 26/11/2018 às 10h03. Atualizada em 26/11/2018 às 13h19

Você sabe quais são as doenças detectáveis no teste do pezinho?

A pediatra Dra. Simone Figueiredo explica sobre a importância do teste do pezinho para os recém-nascidos.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O teste do pezinho é um exame gratuito e obrigatório para todos os recém-nascidos, devendo ser realizado entre o terceiro e o quinto dia de vida, cujo objetivo é diagnosticar doenças metabólicas, genéticas, enzimáticas e endocrinológicas precocemente, adotando medidas de controle e tratamento que evitem prejuízos significativos ao crescimento e desenvolvimento do bebê e, até mesmo, sua morte.

Foi criado pelo médico norte-americano Robert Guthrie, em 1961, disponibilizado no Brasil em 1992 na rede privada e, a partir de 2001, o Sistema Único de Saúde (SUS), o colocou à disposição da população, tendo como meta atingir 100% dos recém-nascidos. 

A partir de um furinho feito com agulha, no calcanhar do bebê, são retiradas gotinhas de sangue que irão preencher espaços circulares num papel adequado chamado papel de filtro. Esse material é enviado ao laboratório e o resultado deve ser visto pelo pediatra assim que ficar pronto. Pode ser necessária uma segunda coleta para confirmar resultados duvidosos.

Conheça as principais doenças que o Teste do Pezinho detecta e proteja seu bebê.

1. Fenilcetonúria - Nessa doença, o bebê não consegue digerir a fenilalanina, uma proteína presente em alimentos como ovos e carne, que, então, acumula-se no organismo, causando atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, deficiência mental, microcefalia, convulsões e odor característico na urina. O tratamento é eliminar alimentos com fenilalanina da dieta da criança.

2. Hipotireoidismo congênito - É uma doença na qual a tireoide do bebê não consegue produzir quantidades normais de hormônios, podendo prejudicar o seu crescimento e provocar retardo mental grave, estrabismo, perda auditiva e incoordenação. O tratamento é feito com a administração do hormônio por via oral. 

3. Anemia falciforme e outras hemoglobinopatias -  A anemia falciforme é um problema genético que leva as células vermelhas do sangue a assumirem forma de foice em algumas situações, reduzindo a capacidade para transportar oxigênio para as várias partes do corpo, podendo provocar anemia, convulsões, paralisia facial, icterícia e crises falcêmicas com dor e piora da anemia. Dependendo da gravidade da doença, a criança pode precisar fazer transfusões de sangue. 

4. Fibrose cística - Também chamada mucoviscidose, é uma doença hereditária grave que leva à produção de uma grande quantidade de muco, comprometendo o sistema respiratório com infecção crônica e lesão progressiva dos pulmões, além de afetar o pâncreas, gerando desnutrição e restrição do crescimento. O tratamento consiste em acompanhamento médico regular, suporte dietético, utilização de enzimas pancreáticas, suplementação de vitaminas e fisioterapia respiratória, além de antibióticos nos processos infecciosos.  

5. Hiperplasia adrenal congênita - Nessa doença, a criança tem uma deficiência hormonal de alguns hormônios e um exagero na produção de outros, o que pode provocar desidratação nos primeiros dias de vida, além de crescimento excessivo, puberdade precoce ou outros problemas físicos. O bebê deve fazer reposição hormonal durante toda a vida para compensar a falta de hormônios e estabilizar a quantidade de hormônios em excesso.

6. Deficiência de biotinidase - Consiste num problema congênito que provoca a incapacidade de o organismo reciclar a biotina, que é uma vitamina importante para garantir a saúde do sistema nervoso. Dessa forma, bebês com esse problema podem apresentar problemas na pele, queda de cabelo, convulsões, retardo mental e suscetibilidade a infecções. O tratamento medicamentoso é muito simples, de baixo custo e consiste na reposição oral de biotina em doses diárias.

Existe ainda a possibilidade de realizar o Teste do Pezinho Ampliado, incluindo diagnóstico de outras doenças, tais como: galactosemia, deficiência de G6PD, toxoplasmose e outras Infecções congênitas, além de aminoacidopatias.

Conhecendo a importância desse exame, leve seu bebê ao laboratório entre o terceiro e o quinto dias de vida para realizá-lo, apresente o resultado ao pediatra assim que recebê-lo e garanta esse passo para uma vida saudável.

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