Publicada em 15/01/2019 às 14h27. Atualizada em 15/01/2019 às 14h42

Você sabe quais são as lesões potencialmente malignas da boca?

Conheça os riscos e saiba como identificar.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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As lesões potencialmente malignas da boca, como o próprio nome diz, representam um conjunto de alterações bucais que possuem algum potencial de transformação maligna. Geralmente, se apresentam como uma mancha branca, vermelha ou ainda como uma ferida na língua, nos lábios, na bochecha e no céu da boca, na maioria das vezes indolores, fato que as tornam ainda mais perigosas. 

O que são lesões potencialmente malignas?

Este termo, recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é utilizado para designar qualquer lesão ou condição na mucosa oral que pode sofrer trasformação maligna e se tornar um câncer. O surgimento dessas lesões, na maioria das vezes, está associado a fatores de risco como o fumo e a ingestão de álcool em excesso ou à utilização combinada de ambos e a algumas infecções virais, bacterianas ou fúngicas. Apesar desse potencial de transformação, nem todas as lesões assim classificadas se tornarão câncer um dia e este fato se deve ao caráter multifatorial da doença maligna. Daí surge à importância de reconhecimento precoce das lesões para uma melhor prevenção do câncer. 

Quais são as lesões potencialmente malignas mais comuns na cavidade oral?

 Ao longo dos anos, pesquisadores da área destacam algumas alterações bucais que possuem potencial de malignização. No Brasil, as lesões mais comumente encontradas são: leucoplasia oral, eritroplasia oral, queilite actínica, havendo também algumas condições sistêmicas, a exemplo do Líquen Plano Oral e das lesões causadas por HPV (Papiloma Vírus Humano), que, reconhecidamente, podem estar associadas ao surgimento de lesões malignas. 

Leucoplasia oral

A leucoplasia oral é definida pela OMS como uma placa branca que não pode ser raspada ou limpa e que não é atribuída a nenhuma outra doença ou processo patológico. O diagnóstico da leucoplasia oral é clínico e só pode ser definido após a investigação de outras doenças da cavidade oral que se apresentam como uma mancha branca. Sua aparência é variável, mas, em geral, se apresenta como uma mancha de cor branca, indolor, não raspável, com superfície irregular e bordas não definidas. São mais comuns em homens e ocorrem com maior frequência no assoalho bucal e na borda lateral da língua, embora também possam ocorrer em outros locais da boca. Por vezes, uma biópsia é mandatória para analisar microscopicamente o grau de alteração da lesão. O tratamento consiste na remoção cirúrgica total da lesão, mas, em casos menos severos, a remoção dos fatores de risco, o acompanhamento e a proservação são medidas mais indicadas. 

Eritroplasia oral

De forma semelhante à leucoplasia oral, a eritroplasia oral é definida pela OMS como uma mancha vermelha que não está relacionada a nehuma outra doença que acomete a cavidade oral. Seu diagnóstico também é predominantemente clínico e só é estabelecido depois que outras doenças, que se manifestam de forma semelhante na boca, são descartadas. As regiões de maior acometimento são o assoalho bucal, a língua, a região retromolar (atrás dos molares) e o palato mole (céu da boca). As biópsias são indicadas para determinar a gravidade da lesão, e o tratamento consiste na remoção dos fatores de risco, como o tabagismo ou a excisão cirúrgica. Há ainda a possíbilidade da manifestação combinada da eritroplasia e da leucoplasia denominada eritroleucoplasia, estas costumam ser mais graves e apresentam um potencial de transformação ainda maior, no entanto, apenas a biópsia poderá revelar o estágio da lesão. 

Queilite actínica

A queilite actínica é uma lesão potencialmente maligna que afeta principalmente o lábio inferior. É resultado da exposição excessiva, por longos períodos, à luz do sol e à radiação ultravioleta. É caracterizada pela perda do limite entre o vermelhão do lábio e a pele que circunda a boca resultando na aparência de um tecido único. Pode ainda se apresentar como uma ferida de aparência áspera, ressecada, espessa e crostosa, podendo ainda ser ulcerada e erosiva com áreas localizadas de palidez.  Acomete principalmente indivíduos que possuem atividade de trabalho e lazer ao ar livre durante o dia, como os agricultores, marinheiros, ambulantes e esportistas, a exemplo dos velejadores. Os cuidados estão basicamente relacionados à prevenção do início da lesão, através do uso de protetor solar labial e bonés. Uma vez estabelecida a lesão, realiza-se a biópsia para descartar a possibilidade de câncer. Nos casos em que a biópsia indicar maior probabilidade de transformação maligna, a remoção cirúrgica da lesão torna-se necessária. 

Líquen plano oral

É uma doença mucocutânea sistêmica, mediada através do sistema imunológico do indivíduo, que afeta a mucosa oral, mas que, também, pode ocorrer na pele, unha, couro cabeludo e mucosa vaginal.  Com predileção pelo sexo feminino, os locais de maior ocorrência são a mucosa jugal (bochechas), língua e gengiva. As lesões geralmente são bilaterais e simétricas, normalmente se observam estrias transversais esbranquiçadas, erosões ou bolhas. Na boca, o líquen plano possui várias apresentações, sendo as formas mais comuns a reticular e a erosiva. O diagnóstico é baseado nos achados clínicos, o tratamento é medicamentoso e consiste no uso corticoides, contudo, outros agentes secundários podem ser utilizados, a exemplo dos retinoides e da terapia fotodinâmica que devem possuir indicação profissional. Por ser uma condição imunológica, o líquen plano não tem cura e sim tratamento para o controle da doença. Alguns pesquisadores associam o reaparecimento da lesão a situações de estresse e ao uso de medicamentos. Assim, caracteriza-se o líquen plano por períodos de remissões e recidivas, podendo o paciente fazer uso da medicação prescrita pelo dentista durante o período de recidiva da lesão.

Lesões associadas ao HPV

O Papiloma Vírus Humano (HPV) foi identificado como fator de risco para o desenvolvimeto de câncer de boca e orofaringe. Existem diferentes subtipos do vírus, mas os tipos 16 e 18 são os mais associados com o surgimento da doença. Segundo alguns autores, a incidência do vírus na mucosa oral varia entre 0,9 e 12%, mas, em indivíduos imunocompetentes, a infecção é eliminada em até dois anos.  A persistência desse vírus resulta em alterações genéticas que podem levar a uma transformação maligna local.  As regiões de maior acometimento incluem a língua, os lábios e o palato mole (céu da boca). Tem como característica o surgimento de um nódulo macio, indolor, exofítico (que cresce para fora), com múltiplas projeções, que podem lembrar uma verruga, bem delimitadas. A lesão também pode ser branca, avermelhada ou rósea, a depender da coloração da mucosa normal e do local da lesão. O tratamento é, na maioria das vezes, a excisão cirúrgica completa da lesão. A vacina direcionada contra o HPV para prevenção do câncer de colo de útero é de extrema importância e há possibilidade de que ela previna também as lesões de cabeça e pescoço relacionadas a esse vírus.

Como posso prevenir essas lesões?

A boca é uma região anatômica de fácil acesso. Diariamente, diversas ações como a alimentação, a comunicação e a higiêne corporal tem a boca como foco central. Ainda assim, o câncer de boca é o quarto tipo de câncer mais incidente em homens no Brasil. Porém, grande parte da população desconhece que o primeiro sinal clínico da doença pode ser uma ferida ou uma alteração de cor que pode ser facilmente identificada pelo indivíduo ou por pessoas do seu convívio social. É por isso que se conhecer, observar o próprio corpo e realizar o autoexame da boca é extremamente importante. 

Algumas dessas lesões podem ser prevenidas, para isto, é importante evitar, ao máximo, alguns fatores de riscos já conhecidos, como o fumo, o álcool e a exposição prolongada à radiação ultravioleta, além do uso do protetor solar e da proteção sexual. Uma alimentação saudável e bons hábitos de higiene e saúde, além da vacinação no caso do HPV, contribuem na prevenção dessas doenças. Realizar o autoexame da mucosa oral para detectar possíveis alterações também é de grande valia. Ele é um exame simples e rápido, que se baseia na inspeção visual dos tecidos orais. Para realizá-lo, é preciso se posicionar em frente ao espelho em um ambiente bem iluminado, lavar bem as mãos com água e sabão e começar tracionando as bochechas, visualizando toda a superfície interna, depois tracionar também os lábios superiores e inferiores tocar e visualizar toda sua extensão. Colocar a língua para fora, observar toda superfície, as bordas laterais e o ventre da língua, observar também a região de assoalho bucal, ambas localizadas logo abaixo da língua. Visualizar também a gengiva e o céu da boca. Na presença de qualquer alteração não antes percebida, procure o cirurgião-dentista. O diagnóstico precoce dessas lesões é importante e pode prevenir o surgimento do câncer de boca. Lembre-se que o correto diagnóstico depende do cirurgião-dentista, mas, começa, principalmente, por você.

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