Publicada em 23/04/2019 às 16h22.

Será que você é o que você come?

A nutricionista Cristiane Lázaro explica como a sua alimentação influencia no seu comportamento.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Perto do caixa do supermercado, produtos disputam sua última atenção. Enquanto a fila não anda, você pega o chocolate e jura que vai ser o último da semana. Já a revista que lhe promete "secar cinco quilos sem malhar", você compra como quem alivia a culpa.

Mas, culpa de quê? De não ser tão magra quanto a modelo da capa? De ter celulite, de ser sedentário, de montar cardápios cheios de junkie food? Hora de acordar: saúde exige cuidado. Milagre é com o Photoshop.

Difícil mesmo é deixar o imediatismo de lado em uma sociedade onde nos estressamos mais, comemos mal e nos exercitamos menos. Tem site oferecendo dieta a qualquer internauta que informe seu peso e sua altura, o que pode até trazer resultado, mas não substitui uma avaliação médica.


A preguiça é tanta que passamos a chamar comida de ração. Cada marca tem uma variedade de ingredientes, mas a ração humana é basicamente composta por fibra solúvel, guaraná em pó, linhaça, fibra insolúvel e açúcar mascavo. Esses elementos reduzem o trânsito intestinal, promovem a saciedade, reduzem a absorção de gorduras no intestino, são estimulantes, têm ômega 3 e ferro. Tudo o que poderia estar em um prato rico e balanceado, não? Basta saber o que escolher e como formar esse prato.

A frase é clássica, mas a gente é mesmo o que a gente come. E se comemos mais frutas e verduras, por exemplo, teremos uma maior ingestão de vitaminas e minerais, que refletirão em uma pele mais bonita, mais disposição, mais imunidade. Por outro lado, se comemos alimentos ricos em gordura, nos tornamos candidatos a doenças cardiovasculares e vários outros problemas associados.

O segredo está na mudança de hábito, a também famosa reeducação alimentar. É preciso ter consciência do que você ingere e qual é o objetivo em estar comendo aquilo. Atualmente, com a elevação da expectativa de vida do brasileiro, devemos nos preocupar com a qualidade da vida que teremos. De que adianta viver mais se não for para viver melhor?

Um bom exemplo de mudança é a preocupação das escolas brasileiras em repensar seus cardápios. Ainda temos escolas públicas deficientes e cantinas particulares cheias de salgadinhos, mas esse panorama deve mudar. A obesidade hoje se tornou uma epidemia e um problema de saúde pública.
 
Aos adultos, também não fica a desculpa do corre-corre. Comer bem é uma questão de prioridade e tem muita gente dando mais atenção a outras coisas na hora do almoço. Reserve um tempo, mesmo que seja pequeno, para sentar, escolher e mastigar bem os alimentos.

Mesmo em restaurantes de comida a quilo, onde às vezes exageram-se em conservantes e condimentos, as pessoas podem ser orientadas a escolher o que é mais saudável. Se ali não tem, troque de lugar. Se pesou no orçamento, faça e leve seu almoço para o trabalho.

Devemos cobrar dos órgãos governamentais uma legislação severa, até para termos certeza de que os produtos que encontramos são "orgânicos" de fato, isentos de produtos químicos.


Não existe uma sociedade com alimentação perfeita e sim hábitos saudáveis que são preservados. Um exemplo disso é a dieta de países do mediterrâneo, composta de peixes ricos em ômega 3, azeite e frutos oleaginosos, que são alimentos funcionais. A dieta oriental é outro bom exemplo, rica em soja, que tem fibras.

Já o consumo de vinho tinto, que contém taninos e o reservatrol (cardioprotetores) levantou a discussão de um paradoxo. No ano passado, o governo da França iniciou uma pesquisa para investigar o hábito dos cidadãos e descobriu que, mesmo consumindo muita gordura saturada, os franceses tinham baixos índices de doenças do coração. O que temos a aprender com eles? Equilíbrio. 

A alimentação orgânica também está cada vez mais em evidência. Devemos cobrar dos órgãos governamentais uma legislação severa, até para termos certeza de que os produtos que encontramos são "orgânicos" de fato, isentos de produtos químicos. Em fevereiro, a Universidade Federal do Mato Grosso publicou uma pesquisa na qual foram constatados níveis de agrotóxicos em amostra de leite materno de 62 mulheres. Na próxima vez em que for ao supermercado, pense nisso.

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