Publicada em 07/09/2012 às 00h00. Atualizada em 07/09/2012 às 17h00

Albinos em mobilização para uma saúde pública de qualidade

A ausência de melanina no corpo exige cuidados e o poder público precisa satisfazer esta demanda

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"Para essas pessoas, o filtro solar é indispensável na proteção contra os raios nocivos do sol e, por isso, é distribuído gratuitamente na Bahia, mas esse benefício ainda não atende a todos os albinos do Brasil". 

Sensibilidade à luz, ao sol e maior risco de desenvolver câncer de pele, são algumas das especificidades com as quais os albinos precisam conviver. Para essas pessoas, o filtro solar é indispensável na proteção contra os raios nocivos do sol e, por isso, é distribuído gratuitamente na Bahia, mas esse benefício ainda não atende a todos os albinos do Brasil. A distribuição gratuita de protetor solar é apenas uma das reivindicações dos albinos. Em Salvador, existe a única organização do Brasil que articula políticas públicas que atenda às demandas dos portadores de albinismo. A Associação das Pessoas com Albinismo na Bahia (Apalba), foi criada em 2001.

Dois projetos de lei estão tramitando e aguardam votação, ambos criados pelo deputado Carlos Giannazi, do PSOL paulista, que contaram com a colaboração do professor doutor Roberto Bíscaro e de Andreza Cavalli – albina bastante ativa em redes sociais. O PL683/2009 (prevê a obrigatoriedade da distribuição gratuita de protetor solar para as pessoas com albinismo residentes no estado de São Paulo) já passou por todas as comissões e está pronto para a ordem do dia, ou seja, para entrar em pauta, e o PL649/2011 (garante direitos básicos, além de instituir cotas nas universidades públicas estaduais de São Paulo) está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aguardando votação. Sobre a criação dos projetos de lei, o deputado afirma que “os projetos foram formulados a partir das sugestões, reivindicações e audiências realizadas com os albinos liderados pelo professor doutor Roberto Bíscaro e, no caso das cotas em universidades públicas, através da participação do nosso mandato nesse movimento”. Giadezzzi destaca ainda que essa iniciativa “é um passo importante para que as albinas e albinos conquistem outras reivindicações e que sejam incluídos nas políticas públicas do estado”.

“os projetos foram formulados a partir das sugestões, reivindicações e audiências realizadas com os albinos liderados pelo professor doutor Roberto Bíscaro e, no caso das cotas em universidades públicas, através da participação do nosso mandato nesse movimento”.



A distribuição gratuita do protetor solar é muito importante porque os portadores de albinismo precisam proteger a pele com um produto que tenha um fator de proteção muito alto que, geralmente, é mais caro.  

As cotas nas universidades também é uma demanda importante. O portador de albinismo não é considerado deficiente, no entanto, muitos deles têm sérios problemas de visão como destaca o professor doutor, Roberto Bíscaro: “as pessoas com albinismo utilizam-se da baixa visão para se beneficiar do sistema de cotas, embora a maioria de nós apresente sérios problemas de visão, e aqueles que porventura não possam se encaixar na categoria de deficiente visual?”. O professor argumenta com uma pergunta, pois o projeto de lei foi desenvolvido para agregar aqueles albinos que não têm deficiência visual, mas ainda assim, precisam ser beneficiados pelas cotas.

Para Bíscaro, os protetores solares são essenciais para evitar o câncer de pele nos albinos, “os protetores solares são caros e precisam ser usados todos os dias, reaplicando-o sempre, então, imagine o custo! A falta de uso pode levar ao câncer de pele, portanto, a distribuição gratuita do produto fará bem à saúde dessas pessoas. Sai mais barato e é mais humano prevenir do que remediar”.

Leia mais: Mobilização da sociedade civil e a causa albina

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