Publicada em 14/05/2019 às 15h54. Atualizada em 15/05/2019 às 16h05

Ambiguidade genital: causas, diagnóstico e tratamento

Confira a segunda parte do artigo especial produzido pelo médico-urologista Dr. Ubirajara Barroso

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Conforme vimos anteriormente, a ambiguidade genital é uma condição rara, caracterizada por um genital que tem aspectos típicos dos genitais masculino e feminino (ver parte 1). Uma história familiar pode ter influência no aparecimento de ambiguidade genital, como, por exemplo:

óbitos inexplicados na infância;

infertilidade, ausência da menstruação, puberdade precoce, excesso de pelos faciais nas mulheres;

anormalidades genitais;

hiperplasia adrenal congênita.

As principais complicações são a infertilidade e o aparecimento de alguns tipos de câncer gonadal em indivíduos XY.

Preparo para a consulta

Se o seu bebê nasceu com ambiguidade genital, há centros especializados que cuidam do seu filho de forma integral e multidisciplinar. Famílias e pacientes necessitam de suporte psicológico, de avaliação genética, endocrinológica e urológica.

Anote todas as dúvidas e leve-as para a consulta com o seu médico. Ele avaliará a sua criança e conversará sobre todos os aspectos relacionados ao problema.

O urologista pediátrico abordará sobre os aspectos relacionados à correção cirúrgica genital, caso haja a necessidade de algum procedimento, os riscos de câncer nas gônadas, o potencial de fertilidade no futuro e os aspectos futuros concernentes à sexualidade.

Testes e diagnósticos

Caso o bebê nasça com ambiguidade genital, ele não deve ter o registro de nascimento até que seja feita avaliação específica por uma equipe com bastante experiência no assunto.

A definição do gênero de criação será determinada pela família, mas a equipe interdisciplinar ajudará nessa decisão, que se baseia em vários aspectos como sexo cromossômico, gonadal, presença de órgãos reprodutivos internos íntegros e externos potencialmente condizentes com o sexo de criação. Felizmente, para a grande maioria dos casos, é possível escolher um sexo de criação com o qual a criança se identifique no futuro. Porém, algumas situações são bem complexas, e o filho ou a filha pode decidir por um gênero diferente daquele com o qual foi criado.

A criança necessitará de exame de sangue para avaliar cariótipo e dosar algumas enzimas e eletrólitos. Uma ultrassonografia pélvica é, muitas vezes, necessária.

O tratamento tem vários objetivos:

Dar conforto e apoio psicológico à criança e à família.

Tratar, com medicações, alterações hormonais seja com medicações que reduzam uma produção exagerada ou que reponham algum hormônio que esteja faltando. A cirurgia feminilizante consiste na confecção de uma vagina, tratamento da hipertrofia clitoridiana, e na confecção dos pequenos e grandes lábios.

Correção da genitália externa. Essa será uma decisão da família com orientação do urologista pediátrico. Há casos em que podemos esperar para que o paciente defina no futuro como quer o seu genital.

 

Leia a primeira parte deste artigo: Ambiguidade genital: Você sabe o que é?

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