Publicada em 30/05/2019 às 12h02. Atualizada em 30/05/2019 às 12h11

Benefícios e efeitos colaterais do Metotrexato

Saiba como age um medicamento imunossupressor utilizado no tratamento de pacientes com câncer.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O metotrexato, também conhecido como MTX, é um antimetabólito e uma droga antifolato que é estruturalmente semelhante ao ácido fólico e age inibindo, por competição, a enzima diidrofolato-redutase. Descoberto em 1940, em Boston, durante testes em crianças com leucemia aguda, este medicamento atua, principalmente, na fase S da divisão celular. Essa droga age, principalmente, em células que apresentam crescimento exponencial, o que explica sua capacidade antineoplásica.

 

O metotrexato inibe a diidrofolato-redutase, que é uma enzima responsável por transformar diidrofolatos em tetraidrofolatos, que são utilizados na síntese de nucleotídeos purinas. Consequentemente, ocorre uma diminuição desses nucleotídeos, impossibilitando a replicação do DNA. O medicamento age, principalmente, em tecidos que se proliferam rapidamente, como medula óssea, células fetais, mucosas bucais e intestinais, além das células malignas. Por esse motivo, o metotrexato também pode ser usado no tratamento de doenças autoimunes, a exemplo da psoríase, já que, nessa condição, comumente ocorre uma proliferação aumentada das células epiteliais.

O tratamento com metotrexato é indicado para alguns tumores sólidos e neoplasias malignas hematológicas:

- Neoplasias trofoblásticas gestacionais (coriocarcinoma uterino, corioadenomas e mola hidatiforme).

- Leucemias linfocíticas agudas.

- Câncer pulmonar de células pequenas.

- Câncer de cabeça e pescoço (carcinoma de células escamosas).

- Câncer de mama.

- Osteossarcoma.

- Tratamento e profilaxia de linfoma ou leucemia meníngea.

- Terapia paliativa de tumores sólidos inoperáveis.

- Linfomas não Hodgkin e linfoma de Burkitt.

Indicações não oncológicas:

- Psoríase grave (em casos menos graves não é indicado por conta das reações tóxicas severas).

- Artrite reumatoide. 

 

O metotrexato é contraindicado para mulheres grávidas e lactantes, pessoas com hipersensibilidade conhecida ao medicamento, pacientes com síndrome da imunodeficiência, disfunção hepática ou renal e pessoas com discrasias sanguíneas.

Em casos de neoplasias, o uso do metotrexato em altas doses (HDMTX) é amplamente defendido por especialistas. No entanto, por se tratar de um medicamento forte, o metotrexato apresenta muitos efeitos colaterais graves. Entre esses efeitos estão a estomatite ulcerativa, glossite (inflamação da língua), gengivite, náusea, vômito, diarreia, anorexia, mucosite, supressão das funções da reprodução, lesões hepáticas, renais e neurológicas, cistite, tontura, fraqueza, encefalopatia, febre, calafrios, hipersensibilidade, alopecia (queda de cabelos), alterações de pigmentação da pele, mielossupressão, leucopenia, trombocitopenia e enterite hemorrágica.

Diante de tantos efeitos adversos, é preciso considerar a indicação de uso do metotrexato com cautela, em especial, durante o tratamento antineoplásico, já que o câncer é uma doença grave e diminui significativamente a qualidade de vida do paciente. As terapias utilizadas devem ser repensadas visando minimizar os efeitos adversos citados.

Referências:

MARTINS, Gladys Aires; ARRUDA, Lucia. Tratamento sistêmico da psoríase - Parte I: metotrexato e acitretina. In: ANAIS BRASILEIROS DE DERMATOLOGIA, 2004, Rio de janeiro. EDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADA [...]. sociedade brasileira de dermatologia: [s. n.], 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0365-05962004000300002&script=sci_arttext. Acesso em: 21 mar. 2019.

PHARMANOSTRA. Metotrexato. Disponível em: https://infinitypharma.com.br/uploads/insumos/pdf/m/Metotrexato.pdf. Acesso em 21 mar. 2019.

XAVIER, MILENA DA MOTTA. MONITORAMENTO DA TOXICIDADE DO METOTREXATO EM ESQUEMAS DE ALTAS DOSES NO TRATAMENTO DE OSTEOSSARCOMA. 2010. Trabalho de conclusão de curso (Farmácia) - UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB, Bahia, 2010. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/premio_medica/2010/mencoes/trabalho_completo_milena_motta_xavier.pdf. Acesso em: 21 mar. 2019.

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