Publicada em 03/04/2019 às 16h15. Atualizada em 05/04/2019 às 10h41

Gênero e sexualidade: uma conversa plural

Confira conteúdo especial elaborado pela Liga Acadêmica de Sexualidade e Gênero (LASG), da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Atualmente, se discute cada vez mais sobre sexualidade e gênero. A representatividade começou a tomar forma e agora pode ser encontrada nas novelas, programas de televisão, nas ruas, no carnaval e em outros espaços sociais.

Dúvidas e questionamentos surgem a respeito e é importante trazer assuntos inerentes a esses temas para as rodas de conversa, debates e palestras em espaços não apenas acadêmicos – escolas e universidades –, mas também onde o acesso a essas informações, às vezes, nem chega, como em contextos familiares e profissionais – de cargos em que ter ingressado na universidade e deter um diploma não seja obrigatório.  Esse é um assunto necessário e que deve ser levantado em diversas esferas do social porque perpassa a vida dos indivíduos de maneira plural. 

Uma das principais dificuldades e confusões é diferenciar sexo biológico de identidade de gênero e diferenciar identidade de gênero de orientação sexual. 

Sexo biológico

O sexo biológico é fundamentado na biologia, a partir dos dados cromossômicos, órgãos genitais, sistema reprodutor e hormônios. Usa-se, socialmente, o sexo biológico como determinante de gênero, como, por exemplo, seres humanos machos – cromossomos XY – são identificados ao nascer como sendo do sexo e gênero masculino e seres humanos fêmeas – cromossomos XX – são identificados ao nascer como sendo do sexo e gênero feminino. 

Mas qual é a diferença entre sexo e gênero? 

Gênero é uma construção social e cultural, que varia de local e época, envolvendo comportamentos, traços de personalidade, vestimentas etc. do que seria ser homem e do que seria ser mulher. Logo, a feminilidade e a masculinidade são construídas variando de sociedade e cultura e não estão atreladas, necessariamente, ao sexo biológico. Algo que, aqui no Brasil, pode ser considerado como sendo feminino, em outro lugar do mundo, pode ser considerado como sendo masculino. 

Identidade de gênero

Com isso, a identidade de gênero é a maneira com a qual você se vê e se identifica com base também nas construções sociais e culturais de gênero. 

Uma pessoa cisgênero possui identificação com o gênero que lhe é designado socialmente com base no sexo biológico. 

Exemplo: ser humano com caracteres sexuais primários e secundários femininos que se identifica com o gênero feminino.

Uma pessoa transgênero possui identificação com outro gênero que não lhe é designado socialmente com base no sexo biológico. 

Exemplo: ser humano com caracteres sexuais primário e secundário femininos que se identifica com o gênero masculino.

Identidade de gênero é sobre isso: identificar-se. Quem pode dizer o que o outro é, de fato, a não ser o próprio outro? 

Orientação sexual

A orientação sexual é uma outra esfera que envolve o desejo. Trata-se de qual sexo/gênero o seu desejo é direcionado – baseado em qual gênero você se identifica – trazendo a atração emocional, afetiva e sexual. 

Uma pessoa heterossexual se sente atraída por pessoas do sexo/gênero diferente do dela – entendido comumente como aquele que se atrai pelo “sexo oposto”. 

Uma pessoa homossexual se sente atraída por pessoas do mesmo sexo/gênero que o dela, podendo ser: 

Gay: pessoa que se identifica com o gênero masculino e sente atração por outra pessoa do gênero masculino.

Lésbica: pessoa que se identifica com o gênero feminino e sente atração por outra pessoa do gênero feminino.

Uma pessoa bissexual se sente atraída por pessoas de mais de um gênero, por exemplo, sexo/gênero tanto feminino quanto masculino.

Outrossim, buscamos levantar nesse texto apenas uma breve discussão sobre a imensidão de conteúdos que o tema sexualidade e gênero apresenta. Em tempos atuais, principalmente no Brasil, tem sido urgente intensificar essas discussões – porque, novamente, na história, a comunidade LGBTQI+ corre riscos, tanto de vida quanto de perda de direitos essenciais. O conhecimento das nomenclaturas e as diferenciações entre sexo biológico, gênero, identidade de gênero e orientação sexual são o mínimo necessário a se conhecer, especialmente, ao se pensar em políticas públicas ou em saúde. É preciso conhecer para melhor cuidar, para não mais excluir. 

É normal que surjam dúvidas sobre o tema, visto que identidade e sexualidade são temas complexos, amplos e muito individuais. Dessa forma, resultado de conversas e discussões sobre temas como esses encorajam o exercício da empatia e do respeito, gerando uma diminuição da intolerância, do preconceito e de todos os outros tipos de violência direcionados à população LGBTQI+. 

A ampliação desse conhecimento também é essencial para que as pessoas em processo de identificação se reconheçam e sejam representadas. As nomenclaturas, além de constituírem luta, fazem o sujeito LGBTQI+ compreender que ele não está só, que existem muitas outras pessoas que já viveram o que ele vive e que o entendem, fazem ele perceber também que o problema está na sociedade, no preconceito, e não nele. É também por meio desse conhecimento que se promove o respeito e o acolhimento à diversidade e à diferença, possibilitando que essas não sejam percebidas como ameaças. 

Por fim, vale ressaltar que o universo LGBT é vivo e dinâmico, produzindo e se ressignificando o tempo inteiro. E, assim, é necessário que o seja, pois, tratando-se de seres humanos, haverá sempre complexidade. O que implica dizer que o conhecimento sempre se renova e se expande. 

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