Publicada em 24/07/2011 às 10h15. Atualizada em 26/09/2012 às 16h49

O que você sabe sobre o direito do idoso?

Saiba como o trabalho do assistente social nos hospitais e unidades de saúde auxilia os idosos em uma melhor qualidade de vida.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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“O assistente social deve exigir sempre junto aos familiares e às instituições o cumprimento da lei de proteção aos idosos e também buscar caminhos que viabilizem ou facilitem o seu acesso aos serviços”.

Volta e meia vemos na televisão as dificuldades que a maior parte da população tem para obter qualquer atendimento básico em saúde. Um médico especialista, um dentista, um psicólogo, um fisioterapeuta: ter acesso a qualquer uma dessas modalidades de atendimento em saúde pública é um problema sério, especialmente para pessoas de mais idade. É nessa hora que entra em cena a figura do assistente social.

O assistente social deve exigir sempre junto aos familiares e às instituições o cumprimento da lei de proteção aos idosos e também buscar caminhos que viabilizem ou facilitem o seu acesso aos serviços, encaminhando-os, quando necessário, à busca de recursos superiores para o cumprimento dos itens previstos na legislação. 

Há situações em que, além da omissão do cuidado com esse público, percebemos realmente um desrespeito explícito e uma tentativa de transformar a lei que visa proteger o idoso em um “peso”. Por exemplo, por não pagarem transporte, os idosos com mais de 65 anos hoje estão tendo que sair mais vezes de casa, sendo mais expostos aos perigos da rua, pois os filhos jovens e adultos, para fugirem das filas e economizarem o transporte, estão utilizando seus pais idosos para serviços como pagar suas contas nos bancos e levar seus netos aos ambulatórios para exames e consultas. 

O idoso, nesses casos, está sendo, então, penalizado em vez de beneficiado. Os familiares é que se aproveitam dos benefícios peculiares da condição do idoso, causando danos à sua qualidade de vida, em lugar de protegê-los. O assistente social, além de esclarecer o idoso sobre seus direitos, quando necessário, deve encaminhá-los à delegacia do idoso em casos confirmados de exploração e violência, por exemplo.


Quem resolve se graduar em Serviço Social tem um importante trabalho a fazer na sociedade e 

Por terem dificuldade de locomoção, o acesso a exames e consultas fica ainda mais restrito. Por não terem condições de chegar cedo nas filas, ao buscar cada atendimento pelo SUS, necessitam ficar em pé por muito tempo, aguardando a entrega de fichas para acesso ao atendimento, devido à grande demanda. Também sofrem pela falta de acompanhamento dos familiares.

 O que mais cansa é o enfrentamento das consequências visíveis da pobreza extrema e da violência. É difícil também enfrentar a baixa auto-estima e, muitas vezes, a acomodação no sofrimento das pessoas que vivenciam situações de exclusão e preconceitos sociais. Atuamos na perspectiva da assistência de forma politizada, para que eles reconheçam seus direitos de cidadania, acreditem em seu valor e dignidade intrínseca e partam para a busca de melhores condições para si e para a coletividade.

É comum àqueles que trabalham como assistente social sofrerem de estresse. Acompanhei o sofrimento de algumas colegas com depressão e eu mesma estive perto disso ao trabalhar num hospital de emergência do estado, consolando famílias e amigos que perderam seus queridos e presenciando óbitos que poderiam ter sido evitados se a pessoa tivesse recebido socorro e um tratamento mais eficaz na UTI - que raramente estava com leito disponível. É muito difícil não levar essas lembranças para casa, para a vida fora do trabalho. 

“Idosos com mais de 65 anos hoje estão tendo que sair mais vezes de casa, sendo mais expostos aos perigos da rua, pois os filhos jovens e adultos, para fugirem das filas e economizarem o transporte, estão utilizando seus pais idosos para serviços”.

Conquistamos, devido a essa exposição contínua a situações de estresse, a lei que institui a redução da carga horária do assistente social para 30 horas semanais, favorecendo sua qualidade de vida ao proporcionar tempo para recuperar suas energias e melhorar sua capacidade de atuação, evitando o estresse.

EXIGÊNCIA DAS FAMÍLIAS

É difícil fazer as famílias dos idosos entenderem que o assistente social não "pode tudo", que ele tem que seguir a lei e está limitado pelas dificuldades inerentes ao atendimento público, especialmente em saúde. Alguns familiares esbravejam, querendo o cumprimento do Estatuto do Idoso para seu parente, que ele tenha prioridade para ser atendido, mas são tantos idosos na mesma situação que temos dificuldade para resolver a questão da prioridade, pois todos que comparecem para atendimento estão com o déficit de saúde, independentemente da idade. 

Há dias em que surgem no ambulatório pessoas jovens com gravidade que justifica o atendimento prioritário e os familiares dos idosos não entendem a situação. Temos limites para seguir o cumprimento da prioridade do idoso da forma mais justa com todos e para todos na área de saúde. Nesses casos, fazemos o possível para acolher a queixa e a indignação do familiar. Tentamos conversar e explicar a situação apresentada e desvelar os limites impostos pela realidade social que afeta cada situação. 
 
ATUALIZAÇÃO CONSTANTE

O profissional de Serviço Social necessita manter-se sempre bem informado e esclarecido sobre a questão social, os direitos sociais, as políticas públicas, locais de atendimento em diversas situações e formas de acesso, projetos sociais, recursos humanos, planejamento estratégico e participativo, entre outros assuntos.

“Existe uma variedade muito grande na remuneração dos assistentes sociais no Brasil”.



 O Sistema Único de Assistência Social (Suas), que já vinha funcionando desde 2005, acaba de ser sancionado pela presidente Dilma (em 6 de julho de 2011) e o assistente social deve acompanhar esse processo de implantação e descobrir como participar ativamente para a consolidação desse sistema que visa descentralizar e organizar a assistência social em nosso país.

A profissão continua na luta pelo estabelecimento do piso salarial. Existe uma variedade muito grande na remuneração dos assistentes sociais no Brasil. Ainda há lugares em que sofre alguns preconceitos acadêmicos e atua sem o devido reconhecimento profissional, mas acredito que essa situação vem mudando muito e que, cada vez mais, as instituições estão reconhecendo e respeitando as competências e as atribuições do profissional do Serviço Social, bem como a importância do seu papel e participação nas equipes multidisciplinares. 

O assistente social, ao participar de trabalho em equipe na saúde, dispõe de ângulos particulares de observação na interpretação das condições de saúde do usuário e uma competência também distinta para o encaminhamento das ações, que o diferencia do médico, do enfermeiro, do nutricionista e dos demais profissionais que atuam na saúde.

ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NA BAHIANA

O Ambulatório Docente Assistencial da Bahiana - ADAB é o único programa de marcação especial de exames para pessoas com deficiência e para idosos, disponível em Salvador. É reservada uma cota de fichas para laboratório, raios X e ECG (eletrocardiograma). A marcação de ultrassonografias também é facilitada. Os idosos com mais de 90 anos ou que tenham doença de Alzheimer ou Parkinson têm atendimento priorizado no Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso (CREASI).

O Grupo de Idosos, coordenado pelo Serviço Social da Bahiana, presta atendimento a 50 cidadãos com idade acima de 60 anos, visando promover melhor qualidade de vida para essas pessoas e facilitar o seu acesso aos atendimentos em consultas e exames médicos. Há três anos, o grupo, que foi denominado pelos idosos de Grupo Encontro Feliz, que realizava reuniões quinzenais, em 2011, tornou semanal essa periodicidade, com duração de 1h30min, aproximadamente, promovendo a socialização, a orientação de cuidados com a saúde e a discussão de outros temas sugeridos por eles.

A metodologia usada é a exposição teórica seguida de atividades participativas relacionadas aos temas selecionados, após pesquisa de interesse com a população-alvo. O Serviço Social facilita o atendimento ambulatorial desses idosos na instituição, fazendo encaminhamentos de acordo com as suas necessidades de consultas e exames disponíveis, bem como a outras instituições para realização de procedimentos ainda não oferecidos pelo ADAB. Também é feito acompanhamento pessoal por telefone a alguns idosos que residem sozinhos e são portadores de necessidades especiais.

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Serviços Gratuitos
  • ADAB - Ambulatório Docente-Assistencial da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.
    Av. D. João VI, nº 275, Brotas, CEP: 40290-000, Salvador, Bahia
    Tel.: (71) 3276 8200.



  • Hospital Universitário Prof. Edgard Santos - HUPES
    Rua Augusto Viana S/N, Canela, Cep 40.110-060, Salvador, Bahia
    Tel.: (71) 3283-8000.
 

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