Publicada em 26/06/2019 às 15h45.

Já ouviu falar em cálculos salivares?

Também chamados de sialolitos, os cálculos salivares podem gerar dor na hora de se alimentar. Saiba mais.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Eles podem variar de 0,5 a 1,0cm e, entre os problemas acarretados estão a disfagia (dificuldade de deglutição) e a disfonia (dificuldade de emissão natural da voz), além de exacerbação da dor, ao se alimentar. Para saber mais sobre os cálculos salivares, o iSaúde Brasil conversou com a pesquisadora, dentista e professora dos cursos de graduação e pós-graduação da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública Alena Peixoto Medrado.

iSaúde Brasil – O que são cálculos salivares e como podemos caracterizá-los?

Alena Peixoto Medrado – Os cálculos salivares, também chamados sialolitos, representam uma formação de material mineralizado no interior dos ductos ou nas próprias glândulas salivares, em especial, as submandibulares. O tamanho pode variar de 5-10mm no seu maior diâmetro, mas existem relatos de cálculos que ultrapassam essa dimensão. Eles podem ser visualizados através de um aumento de volume relacionado à localização anatômica da glândula envolvida. No caso específico das glândulas submandibulares, tal aumento de volume compromete o assoalho de boca (região abaixo da língua). 

iSaúde Brasil – Por que esse quadro se forma?

Alena Peixoto Medrado – A etiologia ou causa do sialolito parece estar associada ao pH alcalino e aumento da concentração de cálcio na saliva. Ele se desenvolve em virtude da deposição excessiva de cristais minerais ao redor de nichos bacterianos, muco ou de células descamadas presentes nos ductos das glândulas salivares. História de trauma, inflamação ou infecção próxima à glândula, também podem ser fatores contributivos para o seu desenvolvimento.

iSaúde Brasil – Quais são os sintomas desse problema?

Alena Peixoto Medrado – Normalmente, a maioria dos cálculos é assintomática, embora possa evoluir com o aumento de volume, dor e/ou associada a uma possível infecção secundária.

Na maioria das vezes, durante a palpação, pode-se observar um nódulo de consistência endurecida e móvel. E se for realizada compressão das glândulas submandibulares e sublinguais, pode ser possível evidenciar quantidade mínima de drenagem salivar.

Os pacientes, às vezes, se queixam de disfagia (dificuldade de deglutição) e disfonia (dificuldade de emissão natural da voz), além de exacerbação da dor, ao se alimentar.

iSaúde Brasil – Quais são os exames que podem detectar esse problema e confirmar o diagnóstico?

Alena Peixoto Medrado – Na maioria dos casos, o diagnóstico clínico é associado aos exames radiográficos convencionais. Um dos tipos de radiografia mais utilizados é a radiografia oclusal. Em alguns casos, pode ser necessário utilizar exames imaginológicos mais complexos, como tomografia computadorizada, sialografia, ultrassonografia, cintilografia e ressonância magnética para uma melhor localização, mensuração do tamanho do cálculo e planejamento cirúrgico.

iSaúde Brasil – Qual é o tratamento?

"...na maioria dos casos, o tratamento mais adequado consiste na remoção cirúrgica do cálculo e, às vezes, do cálculo e da glândula." 

Alena Peixoto Medrado – O tratamento pode ser conservador quando o tamanho do cálculo não atinge grande proporção, através de massagem glandular, uso de alimentos ácidos e sialogogos (dispositivos de silicone, destinados a estimular a produção de saliva mediante estímulo mastigatório), calor úmido e hidratação. A utilização desses recursos pode resultar em expulsão espontânea. Mas, na maioria dos casos, o tratamento mais adequado consiste na remoção cirúrgica do cálculo e, às vezes, do cálculo e da glândula. 

iSaúde Brasil – Quem está mais predisposto a sofrer desse problema e em que etapa da vida?

Alena Peixoto Medrado – A literatura descreve uma leve predileção pelo gênero masculino. Acomete, principalmente, indivíduos de meia-idade, embora possa atingir pacientes jovens, idosos e, raramente, crianças. A sialolitíase ocorre em, aproximadamente, 1,2% da população e não apresenta predileção por raça.

iSaúde Brasil – Como o problema pode ser prevenido?

Alena Peixoto Medrado – Embora não existam evidências científicas que sustentem essa hipótese, alguns autores recomendam a ingestão abundante de água, a fim de diminuir a viscosidade e concentração de cálcio na secreção salivar e, dessa forma, prevenir o desenvolvimento dessa condição. 

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