Publicada em 06/06/2019 às 16h21. Atualizada em 06/06/2019 às 16h31

Manifestações orais de infecções viróticas

Cuidado: as infecções virais se manifestam de forma subclínica ou, até mesmo, assintomática.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A boca é um dos órgãos do corpo humano mais expostos a processos infecciosos, sendo um ambiente propício à transmissão, inoculação e crescimento de vários micro-organismos. É também um importante reservatório de micro-organismos essenciais para a defesa do corpo, os quais compõem a ecologia bucal. No entanto, em situação de desbiose, na qual se tem maior presença de patógenos virulentos do que aqueles que são benéficos ao organismo, pode ocorrer o desenvolvimento de doenças sistêmicas. 

No que diz respeito às infecções virais que acometem a cavidade oral, as manifestações clínicas dependem de fatores, como o grau de virulência do micro-organismo e a susceptibilidade do hospedeiro. Em sua grande maioria, as infecções virais se manifestam de forma subclínica ou, até mesmo, assintomática. 

A infecção herpética está relacionada ao vírus HSV, membro da família Herpetoviridae. O ser humano é reservatório natural do vírus. As principais vias de transmissão são representadas pela saliva e pelas secreções genitais. As manifestações orais podem representar os primeiros sinais da infecção, com o desenvolvimento de vesículas puntiformes, que se rompem e formam inúmeras lesões avermelhadas. Essas lesões iniciais podem aumentar de tamanho e desenvolver ulcerações em toda a região da mucosa, de cor branco-amarelada, recobertas por uma membrana acinzentada. Em alguns casos, a gengiva pode se apresentar dolorosa e extremamente eritematosa (avermelhada).

Em crianças, a infecção pode se apresentar como gengivoestomatite herpética primária, apresentando as mesmas manifestações clínicas de vesículas e ulcerações, além de comprometimento de linfonodos, febre e cefaleia intensa.

Outra infecção digna de nota é a herpes-zóster. Trata-se de uma doença infectocontagiosa aguda causada pelo vírus varicela-zoster (VZV). Este é um vírus da mesma família do HSV, do gênero Varicellovirus, também denominado de herpes vírus humano tipo 3. 

O vírus varicela-zoster é semelhante ao da herpes simples e apresenta a varicela (catapora) como infecção primária e herpes-zóster como secundária, resultante da ativação viral após um longo período de latência. A varicela ocorre, principalmente, em crianças, com sintomas, como mal-estar, febre, náuseas, vômitos e faringite. Na cavidade oral e perioral, são bastante comuns lesões cutâneas na borda do vermelhão do lábio, palato e mucosa jugal. A infecção viral secundária, resultante da reativação viral, pode estar relacionada ao estresse, tendo como principais sinais clínicos o desenvolvimento de lesões vesiculobolhosas cutâneas dolorosas.

A mononucleose infecciosa, também conhecida como a “doença do beijo”, é uma patologia sintomática resultante da exposição ao vírus Epstein Barr, membro da família do Herpetoviridae, do gênero Lymphocryptovirus. Esta infecção é transmitida por meio do contato com a saliva contaminada e se apresenta por meio de lesões orais do tipo leucoplasia pilosa, caracterizada pela presença de placa esbranquiçada, não removível por raspagem, com localização preferencial nas bordas laterais da língua, podendo ser uni ou bilateral e apresentar comum aumento de volume da cadeia linfática na região da cervical. 

O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa causada pelo Paramixovírus, sendo disseminada principalmente por gotículas de aerossóis, espirros e tosse. Em relação às suas manifestações clínicas, após cinco dias de contato com o vírus, surgem as primeiras erupções na cavidade oral, que se apresentam como lesões nas membranas mucosas chamadas de manchas de Koplik. Outros sinais e sintomas também podem estar presentes, como febre, mal-estar, conjuntivite e erupções cutâneas, principalmente nas regiões acima dos ombros. 

A parotidite (caxumba) é outra infecção viral caracterizada pela inflamação das glândulas salivares e pelo vírus da família dos Paramixovírus. É disseminada por meio do contato direto com as secreções nasofaríngeas e tem rápida replicação. Quanto às suas manifestações clínicas, podemos citar: mal-estar, febre, edema da glândula parótida unilateral ou bilateral e cefaleia. Em relação à cavidade oral, pode ocorrer o aumento de volume e rubor dos orifícios dos ductos salivares das glândulas. 

O Vírus da imunodeficiência humana (HIV) é encontrado na maioria dos fluidos corporais, a exemplo da saliva, lágrima, das secreções genitais, do leite materno, da urina e do sangue. A via sexual é a principal via de transmissão. Já a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) representa todo o conjunto de sinais e sintomas, caracterizando o último estágio de infecção do HIV. Apresenta-se por meio de fases, tendo início ainda na latência clínica, com manifestações clínicas que se assemelham a outras infecções, como a gripe, faringite, mialgia, adenopatia cervical, febre baixa e perda de peso. O vírus HIV afeta principalmente os linfócitos T CD4, de modo a deprimir o sistema imune e, com isso, permitir a instalação de doenças oportunistas, como a candidose na cavidade oral. 

É de fundamental importância que o profissional de saúde tenha o conhecimento a respeito das doenças infecciosas virais e suas manifestações clínicas. Em especial, o cirurgião-dentista, que é o profissional responsável pela detecção precoce dos primeiros sinais dessas infecções na cavidade oral. 

Palavras Chave:

odontologia infecções herpes
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