Publicada em 02/04/2019 às 14h56. Atualizada em 03/04/2019 às 15h46

O que é caquexia?

Veja como esta condição impacta na qualidade de vida de pacientes com câncer de cabeça e pescoço.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O termo “caquexia” deriva das palavras gregas “kakos” e “hexis”, que resultam na expressão “má condição” para denominar um estado de debilidade orgânica do indivíduo. A caquexia é reconhecida como um importante efeito adverso do câncer, sendo considerada como uma síndrome complexa e multifatorial associada tanto à redução da função física e da tolerância ao tratamento antineoplásico como também à diminuição da sobrevida do paciente, devido às inúmeras repercussões ao longo de todo organismo. Embora venha sendo mais estudada no contexto do câncer, não está restrito a este, pois atinge também pacientes com outras patologias de caráter hipermetabólico, a exemplo daqueles com insuficiência cardíaca congestiva, AIDS, queimaduras e enfermidades do trato gastrointestinal.

O aumento do consumo energético pelas células tumorais, a liberação de fatores que agem no centro regulatório da saciedade – diminuindo o consumo alimentar e algumas substâncias químicas, como as citocinas, produzidas pelo tumor e seu hospedeiro –, ocasionando as anormalidades metabólicas. Estas são marcadas posteriormente por intenso consumo dos tecidos corporais, principalmente dos músculos e do tecido adiposo (gordura). Há uma perda progressiva e involuntária de peso, além de processo inflamatório, anemia, astenia, balanço nitrogenado negativo e disfunção imunológica. Dessa forma, podemos perceber que as consequências da caquexia são manifestadas nos diversos sistemas corporais.

 Em contraste com outras populações de portadores de câncer, a caquexia ainda é um fenômeno pouco estudado em pacientes com neoplasias de cabeça e pescoço (CCP), embora este seja considera do como um tipo bastante agressivo, e os acometidos sejam conhecidos por apresentarem riscos potenciais de desnutrição. Esta condição é frequentemente atribuída ao processo da fome, que, de certa forma, tem o seu curso normal modificado pelo surgimento de efeitos colaterais locais resultantes das formas terapêuticas, neste caso, a quimioterapia e, principalmente, a radioterapia em região de cabeça e pescoço. Dentre os efeitos agudos, temos a dificuldade subjetiva de deglutição (disfagia), mucosite oral, sensação de boca seca (xerostomia) e alteração na percepção do sabor dos alimentos (disgeusia). Tais sinais e sintomas geram desconforto, o que interfere diretamente na ingestão alimentar e por si só afeta o estado nutricional e geral do indivíduo e a sua qualidade de vida.

Além dos sintomas locais, sintomas sistêmicos, como anorexia, náuseas, vômitos e fadiga, outros sintomas também estão associados à perda de peso e à caquexia desses indivíduos, como, por exemplo, o surgimento de tumores orofaríngeos e hipofaríngeos, em estágios avançados, são os que mais repercutem na perda de peso, devido à obstrução mecânica e à dor que impedem a ingestão da alimentação.

A atuação de uma equipe multiprofissional torna-se uma ferramenta indispensável para a atenuação da caquexia e das suas repercussões sobre a condição clínica e nutricional de pacientes oncológicos, principalmente aqueles com CCP, visto que é uma neoplasia agressiva e que contribui significativamente para o quadro de caquexia. O trabalho em conjunto de profissionais de saúde garante o manejo adequado dessa condição, pois pode atuar tanto na prevenção, promoção da saúde e melhoria na qualidade de vida dos pacientes quanto no tratamento dos sinais e sintomas associados à caquexia. 

Referências:

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