Publicada em 30/05/2019 às 11h57. Atualizada em 31/05/2019 às 10h23

O que fazer com aquela dor na face?

Saiba as razões e causas das dores orofaciais e o que fazer para sanar o problema.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Disfunções temporomandibulares são mais comuns do que se imagina. A Articulação temporomandibuar (ATM) é responsável por uma série de funções anatômicas como a mastigação, deglutição e fala. Disfunções nessa estrutura podem levar uma pessoa a sentir dores de cabeça, nos maxilares, dificuldade de abrir e fechar a boca entre outros problemas. Para entender melhor essa situação, suas causas e como ter uma melhor qualidade de vida, o iSaúa Brasil conversou com a fisioterapeuta especializada em dores orofaciais Caroline Landim.

iSaúde Brasil - O que é a dor orofacial?

Caroline Landim - A dor orofacial está associada aos tecidos da cabeça, face, pescoço e estruturas da boca, que interferem em dores de cabeça, do sistema nervoso, psicogênicas (fatores psicológicos), dentre outras. 

iSaúde Brasil - Quais suas principais causas?

Caroline Landim - A dor orofacial pode ter diversas causas, como, otite; sinusite; questões articulares e musculares (costas, pescoço e nos músculos da mastigação).

Nessa mesma categoria, estão as dores nos nervos faciais, como as neuralgias, aquelas causadas por infecções e ulcerações da mucosa bucal e outras que têm origem nos olhos, glândulas salivares, lacrimais e na mucosa nasal.

Estados de estresse e ansiedade podem atingir os músculos da face. Há casos, inclusive, de pessoas que sentem dores ao mastigar, ao falar e até mesmo ao acordar. O estresse e a ansiedade geram a descarga em nosso corpo de substâncias que atuam como estimulantes para tensão muscular, ativação do sistema nervoso e do sistema de secreção (endócrino). O apertamento dos dentes é muito comum nessas condições e uma das causas mais frequentes de dores musculares na face e na articulação.

iSaúde Brasil - O que são as disfunções temporomandibulares?

Caroline Landim - Desordem Temporomandibular é um termo coletivo envolvendo um número de sinais e sintomas que incluem ruídos articulares, como estalidos e crepitação; dor nos músculos mastigatórios; limitação dos movimentos mandibulares; dores faciais; dores de cabeça e dores na articulação temporomandibular (ATM). O termo é sinônimo de disfunções temporomandibulares (DTM) as quais têm sido identificadas como a maior causa de dor não dental na região orofacial. 

iSaúde Brasil - Qual o papel da fisioterapia nestes casos? Como ela atua?

Caroline Landim - O fisioterapeuta tem um papel importante no tratamento das DTMs e seu principal objetivo é melhorar a funcionalidade articular e evitar que o paciente necessite fazer cirurgia. Sendo assim, a fisioterapia traz benefícios no tratamento da causa, evitando maiores complicações, evitando tratamentos mais invasivos. 

A fisioterapia deve focar seus esforços no retorno normal da estrutura afetada e de sua função através de movimentos suaves, como relaxamento muscular, massoterapia, exercícios isométricos, biofeedback e eletroterapia. 

iSaúde Brasil - Por que é importante o paciente que se submeteu a uma cirurgia ortognática realizar a fisioterapia orofacial? 

Caroline Landim - A cirurgia ortognática consiste em um procedimento combinado entre a ortodontia e a cirurgia bucomaxilofacial. É composta por técnicas de osteotomias realizadas no sistema mastigatório com a intenção de corrigir as discrepâncias entre os maxilares, de modo a estabelecer o equilíbrio entre a face e o crânio. A relação maxilomandibular corrigida pela cirurgia ortognática tem o objetivo de melhorar a função mastigatória, a fonética, a respiração e a estética facial. 

Os procedimentos realizados na cirurgia ortognática, desencadeiam reações inflamatórias nos tecidos envolvidos. Se controlados em tempo hábil e de maneira adequada, podem acelerar a recuperação do paciente e evitar intercorrências decorrentes da imobilização dos tecidos.

iSaúde Brasil - Como se dá o tratamento nesses casos?

Caroline Landim - O ideal é que o paciente faça uma consulta prévia com o fisioterapeuta. Assim, o fisioterapeuta irá lhe informar a sequência dos acometimentos e as condições do pós-operatório imediato.

Em tal ocasião, convém explicar as etapas do tratamento fisioterapêutico e realizar a avaliação da ATM e da musculatura da mímica fácil e mastigatória, e mensurar as amplitude de movimento (ADM) da boca.

Após a cirurgia a atuação da fisioterapia é dividida em duas fases distintas:

1) Pós-operatório imediato de controle inflamatório: Primeiras 2 semanas, possivelmente com bloqueio intermaxilar. Ocorre nos primeiros 15 dias.

Os objetivos da fisioterapia nessa fase são:

Controle e reabsorção do edema;

Relaxamento da musculatura cervical e desbloqueio da musculatura respiratória;

Liberação das aderências faciais;

Recuperação da expressão facial;

Auxílio na regeneração óssea e nervosa por meio de recursos eletrofototerapeuticos.

2) Pós-operatório tardio: com recuperação do movimento mandibular, já trabalha a abertura da boca.

A retirada do bloqueio para execução dos exercícios mandibulares, como abertura, lateralização e protrusão é fundamentação para a recuperação da função mastigatória, mas com o consentimento do cirurgião bucomaxilofacial.

A abertura precoce ajuda a minimizar as aderências articulares, promove a renovação do líquido sinovial, evita a rigidez muscular e a retração da fáscia, facilita a adaptação proprioceptiva da nova estrutura bucal e acelera o processo de fala, mastigação e deglutição. 

iSaúde Brasil - Qualquer fisioterapeuta pode realizar esse tipo de tratamento ou é preciso uma formação especializada?

Caroline Landim - Não. O ideal é que o fisioterapeuta tenha uma formação na área para que possa fazer uma boa reabilitação do paciente. 

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