Publicada em 06/05/2019 às 15h38. Atualizada em 06/05/2019 às 15h48

Saiba quais são as lesões bucais mais frequentes em pacientes pediátricos oncológicos

Entre os principais efeitos colaterais da quimioterapia está a mucosite.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são os linfomas, aqueles que afetam o sistema nervoso central, e as leucemias. No Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos e corresponde a 8% do total de óbitos (INCA, 2016). Os recentes avanços no uso dos medicamentos quimioterápicos e o emprego de esquemas combinados de drogas permitiram elevar a sobrevida de crianças com neoplasias, particularmente as diagnosticadas hematológicas. Todavia, durante o tratamento antineoplásico, as alterações na cavidade bucal alcançam maior gravidade, em virtude da utilização de drogas citotóxicas.

Os principais efeitos colaterais da quimioterapia são: a mucosite, a xerostomia temporária e a imunodepressão, em especial a imunodeficiência, que favorece o estabelecimento de também hemorragias gengivais decorrentes da plaquetopenia e distúrbios na formação dos germes dentários quando a quimioterapia é administrada na fase de odontogênese. 

A mucosite é uma inflamação da mucosa, frequente e dolorosa, que ocorre de cinco a sete dias após a terapia antineoplásica (quimioterapia/radioterapia) e que depende do grau de perda tecidual e agressão de patógenos. Essa alteração na mucosa pode progredir para a descamação celular, resultando em úlceras sintomáticas que dificultam a fala e a alimentação do paciente pediátrico.

Xerostomia, ou “boca seca”, é um sintoma associado ou não à baixa ou nenhuma produção de saliva pelas glândulas salivares. Em consequência da xerostomia, ocorre uma hipofunção das glândulas salivares, que afeta a microflora (de modo a favorecer um aumento de Streptococcus mutans), e essa alteração, somada à precária higiene bucal observada, favorece o surgimento de lesões da cárie.

Os primeiros sinais da leucemia podem surgir regularmente na cavidade oral, principalmente na fase aguda do câncer, e podem ser visualizados e reconhecidos pelo cirurgião-dentista primariamente. As manifestações mais frequentes da leucemia na cavidade oral são a hemorragia e hiperplasia gengival, as infecções oportunistas e alterações ósseas. Durante o tratamento antineoplásico, as lesões tornam-se ainda mais intensas, pois o tratamento quimioterápico atua em células pouco diferenciadas ou com alto metabolismo, atingindo, além das células blásticas, as células normais do organismo. A prevalência das manifestações bucais normalmente também está relacionada à má higienização oral dos pacientes e ao tratamento antineoplásico.

Não existe um protocolo de cuidados com a higiene bucal de crianças hospitalizadas com câncer. 

Existe uma enorme necessidade de um tratamento profilático que amenize as manifestações bucais em decorrência do tratamento oncológico, visando melhoria na qualidade de vida do paciente hospitalizado. Algumas abordagens terapêuticas promissoras incluem o uso da laserterapia, óleo ozonizado e fitoterápicos. 

Referências:

1- Conhecimentos e práticas em saúde bucal com crianças hospitalizadas com cân-cer. Aline M.B. et al.2007

2- Manifestações orais decorrentes da quimioterapia em crianças portadoras de leu-cemia linfocítica aguda. Braz.otorhinolaryngol. vol.80 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2014

3- Lopes; Nogueira e Lopes. Manifestações Orais Decorrentes da Quimioterapia em Crianças. Pesq Bras Odontoped Clin Integr, João Pessoa, 12(1):113-19, jan./mar., 2012

4- Manifestações bucais em pacientes submetidos à quimioterapia. Fernando L. H. Et al.2007

Compartilhe

Saiba Mais

     

    Redes Sociais