Publicada em 26/03/2019 às 17h28. Atualizada em 27/03/2019 às 16h37

Você já ouviu falar em palifermina?

Entenda como esta medicação pode auxiliar na prevenção da mucosite oral.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O câncer representa uma neoplasia maligna que vem crescendo de forma demasiada nesses últimos anos. Anualmente, ocorrem mais de oito milhões de casos novos no mundo (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER, 2005). Pode acometer qualquer parte do corpo, e classifica-se em tumores sólidos e hematológicos. A determinação da modalidade terapêutica se baseia no tipo de neoplasia presente e engloba basicamente a radioterapia, a quimioterapia e o transplante de medula óssea. Apesar dos efeitos benéficos, esses tratamentos trazem efeitos colaterais que afetam diretamente a qualidade de vida do paciente. Entre essas complicações, se destaca a mucosite oral. 

"A mucosite oral é uma inflamação da mucosa oral resultante da terapia citotóxica dos quimioterápicos, e da radioterapia em região de cabeça e pescoço."

A mucosite oral é uma inflamação da mucosa oral resultante da terapia citotóxica dos quimioterápicos, e da radioterapia em região de cabeça e pescoço. É encontrada entre 20% a 40% dos pacientes que recebem a quimioterapia para tumores sólidos, 80% dos pacientes submetidos a altas doses de quimioterápicos para o condicionamento do transplante de medula óssea e em quase 100% dos pacientes submetidos à radioterapia locorregional. Normalmente, as células da mucosa oral sofrem rápida substituição celular, o que as torna alvo da terapia antineoplásica.

A mucosite torna a mucosa edemaciada, eritematosa e friável, o que resulta em dor, desconforto, disfagia e debilidade sistêmica. Muitos pacientes não conseguem se alimentar devido às ulcerações dolorosas, fato este que pode contribuir para a necessidade de nutrição enteral ou parenteral. Além disso, as úlceras servem como porta de entrada para fungos e bactérias, com consequente aumento do risco de agravamento do quadro infeccioso e interrupção do tratamento oncológico proposto.  

Existem estudos que relatam o laser de baixa potência, a crioterapia, e determinados agentes naturais como terapias paliativas para a prevenção e tratamento da mucosite oral, entretanto, até o presente momento, nenhuma dessas opções podem ser consideradas padrão ouro para o manejo da mucosite oral. Atualmente, tem sido estudada uma nova alternativa terapêutica – o fator de crescimento de queratinócitos KGF-1, também conhecido como palifermina. Essa droga atua induzindo a proliferação celular com aumento da espessura do epitélio, o que favorece a redução ao dano no DNA, causado pelas terapias antineoplásicas. Promove também o aumento das enzimas desintoxicantes que protegem o tecido da ação dos compostos oxidantes, reduzindo os níveis de citocinas inflamatórias e a apoptose. Estudos mostram que esse fator de crescimento apresenta bons resultados na redução da incidência, gravidade e duração da mucosite oral se usado de forma profilática em pacientes submetidos ao transplante de medula óssea, processo esse composto por um condicionamento prévio que requer uma série de procedimentos agressivos, a incluir altas doses de quimioterapia associada ou não com a radiação corporal total. Dessa maneira, a palifermina se propõe a combater os danos ao DNA antes do aparecimento das lesões ulceradas. 

A dose profilática usual administrada em adultos é de 60 mcg/kg por aplicação. Normalmente, são indicadas 6 doses, sendo 3 dias antes do condicionamento e 3 dias após o transplante de medula óssea. A palifermina é o único agente terapêutico que foi aprovado pela Food and Drug Administration (EUA) e

Agência Europeia de Medicamentos para o manejo da mucosite oral. Contudo, apresenta um custo elevado, sendo esse um empecilho para a utilização dessa medicação nos serviços públicos de todo o mundo. Para justificar o seu custo-benefício, alguns estudos compararam o custo do uso da palifermina com o custo de um paciente que desenvolve altos graus de mucosite oral e necessita de todo o suporte hospitalar, a exemplo de medicamentos para dor, infecções fúngicas e o tempo de internamento, pois a gravidade da mucosite está diretamente relacionada com o aumento da hospitalização, o que, muitas vezes, pode aumentar as taxas de morbimortalidade. Dessa forma, o custo adicional com a palifermina seria justificado pela economia feita evitando gastos com aqueles pacientes que desenvolvem efeitos colaterais graves por conta do tratamento antineoplásico. 

Diante do exposto, a utilização da palifermina como um método preventivo ao desenvolvimento da mucosite oral em pacientes hematológicos que necessitem do transplante de células-tronco tem sido encorajada, uma vez que pode trazer benefícios para os pacientes oncológicos e melhorar a qualidade de vida dessa população. 

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