Publicada em 04/09/2013 às 00h00.

Você sabe como surgiu o conceito de estresse?

Uma das doenças mais comuns na contemporaneidade, o estresse deixa de ser um mistério. Confira a série especial que começa agora a ser publicada no iSaúde Bahia.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"O termo estresse foi utilizado pela primeira vez na área da saúde em 1926 por Hans Selye (1907-1982) para designar um conjunto de reações específicas que ele havia observado em pacientes que sofriam das mais diversas patologias".

O termo estresse foi utilizado pela primeira vez na área da saúde em 1926 por Hans Selye (1907-1982) para designar um conjunto de reações específicas que ele havia observado em pacientes que sofriam das mais diversas patologias. Em 1936, Hans desenvolveu um modelo do estresse que denominou de síndrome geral da adaptação e que consistia em três fases: a reação do alarme; o estágio da resistência (no qual a adaptação é alcançada) e o estágio da exaustão (possível perda da adaptação ou da resistência). Ele considerava o estresse como uma resposta corporal não específica a qualquer demanda causada por condições agradáveis ou desagradáveis.

Segundo o pesquisador, “a palavra estresse vem do inglês stress. Este termo foi usado inicialmente na física para traduzir o grau de deformidade sofrido por um material quando submetido a um esforço ou tensão e transpôs este termo para a medicina e biologia, significando esforço de adaptação do organismo para enfrentar situações que considere ameaçadoras a sua vida e a seu equilíbrio interno”.

Nunca se falou tanto em estresse. As exigências impostas à população pelas mudanças da vida moderna e, consequentemente, a necessidade de ajustar-se a tais mudanças, acabou por expor as pessoas a uma frequente situação de conflito, ansiedade, angústia e desestabilização emocional. É nesse contexto que o estresse surge como uma consequência direta dos persistentes esforços adaptativos do indivíduo à sua situação existencial. 

 

A vida contemporânea de pessoas que intercalam grande parte do seu tempo entre estudo e trabalho, as conduz à maior exposição por parte de agentes estressores devido ao pouco tempo para executar muitas atividades, além de trânsito caótico, horários a cumprir, cobrança de superiores, tempo de permanência em assentos desconfortáveis com posturas inadequadas, entre outras situações.

Em 1992, a Organização Mundial de Saúde (OMS) chamou o estresse de "a doença do século XX". Atualmente, esse mal afeta mais de 90% da população mundial, sendo considerado uma pandemia. Contudo, o estresse não tem sido considerado uma doença em si, mas sim, uma forma de adaptação e proteção do corpo contra agentes externos ou internos que, por conseguinte, promove alterações no organismo que podem culminar na instalação de quadros patológicos.

"O estresse nem sempre é um fator de desgaste emocional e físico, e sim um mecanismo natural de defesa do organismo". 

O estresse nem sempre é um fator de desgaste emocional e físico, e sim um mecanismo natural de defesa do organismo. A estimulação do sistema nervoso autônomo, em particular do sistema simpático, prepara o organismo para a resposta de “luta ou fuga”, caracterizada por aumento da pressão arterial, taquicardia e aumento do débito cardíaco. Esses constantes estímulos, a depender da forma como são enfrentados, podem provocar alterações psicológicas e biológicas negativas, podendo levar ao estresse crônico. 

As respostas físicas e psicológicas ao estresse dependerão, entretanto, da herança genética, estilo de vida e estratégias de enfrentamento utilizadas pelo indivíduo, bem como da intensidade e duração do agente estressor. Entre as respostas do organismo a esse constante estímulo estressor, podem ser citadas a ação de neurotransmissores, respostas endócrinas e imunológicas. Esse conjunto de reações pode desencadear um quadro patológico, seja físico ou psicológico.   

O trabalho é uma das fontes de satisfação de diversas necessidades humanas, como autorrealização, manutenção de relações interpessoais e sobrevivência. Por outro lado, também pode ser fonte de adoecimento quando engloba fatores de risco para a saúde e o trabalhador não dispõe de mecanismos su?cientes para se proteger destes riscos. 

Quando o agente estressor se prolonga e os meios de enfrentamento são escassos, o estresse pode avançar para fases de maior gravidade, tornando o corpo vulnerável às doenças diversas. O estresse ocupacional é o desequilíbrio entre as demandas existentes no trabalho e sua habilidade e/ou possibilidade de enfrentá-las.

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