Publicada em 23/04/2019 às 00h00. Atualizada em 23/04/2019 às 11h07

Você sabe por que algumas pessoas atraem mais insetos?

O dermatologista Dr. Paulo Machado explica alguns mitos e verdades sobre insetos e como os repelentes agem na proteção da pele.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Desde que o mundo é mundo, diversos tipos de insetos manifestam uma enorme atração pelo ser humano. É improvável que seja por admiração e é certamente por uma necessidade, já que o sangue humano é alimento insubstituível para eles.

São várias as consequências de uma picada de inseto, na dependência do tipo de inseto, quantidade de insetos e/ou picadas e sensibilidade da vítima. Dessa maneira podemos encontrar desde uma simples reação localizada ou mais extensa com a presença de um ou muitos “caroços” inflamados que coçam, até lesões maiores após infecção por bactérias devido ao ato de coçar ou, eventualmente, quadros graves e com risco de vida causados por acidentes com aranhas ou escorpiões. Finalmente, vale a pena lembrar que algumas doenças são transmitidas por picada de mosquitos, como por exemplo, a dengue, a leishmaniose, a malária e muitas outras.

Nosso assunto tem como foco o uso de repelentes para proteção contra a agressão dos mosquitos e pernilongos. Existem vários tipos deles para uso na pele, com maior ou menor capacidade de proteção ou com maior ou menor toxicidade. É importante lembrar que o uso de roupas e mosquiteiros é de muita importância por fornecer uma barreira mecânica que pode ser mais eficiente que o uso de repelentes. Além disso, sabemos que algumas condições aumentam a atração do mosquito por sua vítima:

- temperatura elevada do corpo e suor 

- mulheres grávidas

- ingestão de álcool

- roupas de cores vivas e perfumes

Finalmente, alguns indivíduos exalam um tipo de odor que atrai mais mosquitos, o que explica o entendimento popular que chama algumas pessoas como sendo de “sangue doce”.

Os principais repelentes usados na atualidade se apresentam na forma de loções, cremes ou sprays para serem espalhados por toda a pele exposta. Um bom repelente deve ser atóxico, ter alto poder de repelência e manter a ação durante pelo menos seis a oito horas. As substâncias mais utilizadas atualmente são provenientes de óleo de plantas, sendo considerados produtos naturais, ou são químicos sintéticos. No primeiro grupo estão a citronela e óleo de eucalipto, entre outros. No segundo, os mais usados são o DEET (N,N-dietil--m-toluamida) e a icaridina. Os maiores problemas que podem ocorrer com o uso de repelentes são reações alérgicas ou irritantes na pele, além de toxicidade no sistema nervoso central. O fato de um produto ser natural não garante ausência de alergias, irritação ou toxicidade, mas diminui a sua chance. 

"De uma maneira geral, quanto maior a concentração do repelente maior o tempo de duração de ação, porém também é maior a chance de ocorrer irritação na pele".

De uma maneira geral, quanto maior a concentração do repelente maior o tempo de duração de ação, porém também é maior a chance de ocorrer irritação na pele. Os repelentes encontrados no mercado apresentam concentrações seguras, porém devem ser reaplicados a cada duas – três horas (citronela) ou, no máximo, a cada seis horas (DEET e icaridina). Esse tempo entre as aplicações varia de acordo com a dispersão do produto na pele (é preciso colocar uma quantidade suficiente para cobrir bem a superfície), além da temperatura ambiente (acima de 30oC diminui o tempo de ação) e sudorese. A maioria desses produtos pode ser usada em crianças acima de dois anos de idade e também em gestantes, principalmente após o 3º mês da gravidez. Na verdade, a restrição ao uso em crianças menores de dois anos é indicada por falta de dados e por um maior cuidado preventivo.

Em resumo, o uso de repelentes é uma medida que deve ser complementada por outras, incluindo uso de roupas, mosquiteiros e similares, em associação com medidas ambientais de higiene e limpeza pública que vão ter impacto na redução do número de insetos em determinados locais.

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