Publicada em 06/06/2013 às 00h00.

Você sabia que a dislexia pode ser hereditária ou adquirida?

O fonoaudiólogo Dr. Ricardo Santana explica sobre essa doença que acomete de 10% a 15% da população brasileira.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"Muitas crianças foram discriminadas, por colegas, parentes e, até mesmo, na própria casa".

 Tempos atrás, crianças e adultos eram tachados de “burros” por um simples motivo: dificuldade na leitura e na escrita, não conseguindo desenvolver, sozinhos, essas habilidades. Muitas crianças foram discriminadas, por colegas, parentes e, até mesmo, na própria casa. 

Hoje, com as informações ao nosso alcance, estão sendo facilitados  diagnósticos precoces em determinados distúrbios escolares. A dislexia,  muito comum, tanto no Brasil como na população mundial, atinge cerca de 10% a 15% da população brasileira (Fonte: Associação Brasileira de Dislexia).

A dislexia vem do grego DIS: DIFICULDADE, LEXIA: LINGUAGEM/PALAVRA. 
A dislexia é uma dificuldade na escrita, soletração e na leitura, ou seja, não é uma doença, porém pode ser genética ou adquirida, logo percebida na infância entre os sete anos idade, quando é iniciado o desenvolvimento dos raciocínios com letras, sons e números.

Na dislexia adquirida, o ser humano lê e escreve normalmente, no entanto, tem a área cerebral que trabalha com a comunicação “danificada” por algum acidente (área de wernicke) e, com isso, adquire a dislexia. Na dislexia genética existe uma disfunção no cromossomo 6,  fazendo com que a criança já nasça com a dislexia, mas não significa que, por ela ser genética, seja hereditária, ou seja, o pai ou a mãe pode ser disléxico mas os filhos não, ou vice-versa.

Em razão de ser uma disfunção neurológica que atrapalha o desenvolvimento na leitura e na escrita, muitas vezes a dislexia é confundida com atraso de linguagem, dificuldade no relacionamento social e desmotivação para as tarefas escolares.

A dislexia, por ser uma disfunção relacionada ao estudo da leitura e da escrita, muitas vezes é percebida na escola, porém o seu diagnóstico precoce é muito difícil, pois nem todos os profissionais estão capacitados para isso. 

Normalmente, seu diagnostico e tratamento são realizados  por uma equipe multidisciplinar, o que possibilita  uma vida com qualidade podendo-se exercer várias funções. A equipe é composta por neurologista, psiquiatra, psicólogo, pedagogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo e otorrino. Acredito que, após uma avaliação desses profissionais, conseguiremos fechar um diagnóstico concreto da dislexia e, assim, poderemos fechar um tratamento correto.

 

Mas nem tudo é tão ruim assim. Os disléxicos, por terem essa dificuldade nas áreas de leitura e escrita, desenvolvem melhora na área das artes e de cálculos. O mundo já nos mostrou alguns famosos que eram disléxicos: Albert Einstein, Tom Cruise, Robbie Williams, Agatha Christie, entre outros. Isso mostra que, com o entendimento dessa disfunção e um diagnóstico correto,  consegue-se ter uma vida normal em um mundo no qual as letras e os números estão presentes o tempo todo.

Penso que as crianças sempre vão demonstrar os sinais da dislexia, portanto, os pais e professores podem ficar atentos quando a criança está tendo muita dificuldade na leitura, quando se relaciona pouco com o outro, quando o professor pede para a criança escrever determinado objeto, por exemplo, “casa” e, ao invés de escrever, ela desenha uma casa e diz que escreveu uma casa ou, então, quando começa a perder o estímulo de ir para escola ou o interesse pelo convívio social e, na escola, tem vergonha de ler em voz alta.

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