Publicada em 16/04/2019 às 00h00. Atualizada em 16/04/2019 às 11h44

Você sabia que interações medicamentosas podem atrapalhar os motoristas no trânsito?

O simples fato de associação de medicamentos está sujeito a neutralizar, diminuir ou aumentar o efeito de uma ou mais drogas usadas no tratamento de doenças com consequências imprevisíveis, porém reais.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

Atualmente, existe preocupação quanto ao uso de medicamentos que podem causar problemas no organismo humano se usados com outros medicamentos ou com drogas ilícitas. O chamado risco de interação medicamentosa.

Fui proferir uma palestra cujo título era "Acidentes de trânsito por drogas ilícitas e álcool". Porém, achei que faltava uma abordagem maior em função dos acidentes causados por uso e interações de medicamentos de uso farmacológico em doenças crônicas. Sendo assim, criei o exemplo do senhor Hipertensivo (nome fictício):  homem de 60 anos de idade, hipertenso em uso de anti-hipertensivos, mas, irregularmente. Hipertensivo, às vezes esquecia de tomar os remédios na hora certa e, muitas vezes, tomava todos de uma vez só, pensando que podia ser assim. Durante um período, usou grandes doses do diurético. O resultado foi uma série de episódios de cãibras, motivo do acidente em que ele quase atropelou um ciclista e hoje se recupera de um traumatismo oriundo desse episódio. A causa maior foi uma queda excessiva do potássio sanguíneo devido ao diurético em alta quantidade, o que promove o aparecimento de cãibras.

O outro exemplo foi o de dona Tireoidinia (nome fictício), condutora profissional de van escolar e que precisa usar hormônio tireoidiano por causa do seu hipotireoidismo. Estando um pouco acima do peso, resolveu fazer uso de uma fórmula de emagrecimento. No entanto, essa fórmula continha quantidades expressivas de hormônios da tireoide. Resultado: Tireoidinia aumentou excessivamente o seu metabolismo, apresentou uma reação de aumento das batidas do coração e teve palpitações. Ela pensava que ia morrer e entrou em pânico. Bateu a van no fundo de um carro parado no sinal vermelho.

Essas são estórias fictícias. Foram elaboradas para ilustrar para o público da palestra que o risco de acidentes de trânsito causados por interações medicamentosas pode ser comum entre os condutores de veículos.

O simples fato de associação de medicamentos para diminuir a pressão arterial, o diabetes, o hipotireoidismo, insuficiência cardíaca, mal de Parkinson, estados ansiosos, depressivos, angina e muitas doenças mais, está sujeito a neutralizar, diminuir ou aumentar o efeito de uma ou mais drogas usadas no tratamento dessas doenças com consequências imprevisíveis, porém reais.

Temos vários exemplos dessas interações, tais como: antialérgicos (anti-histamínicos) com inibidores da ansiedade (benzodiazepínicos) causando sonolência, falta de atenção, incoordenação motora, tontura e, às vezes, confusão mental.

Psicoestimulantes com inibidores de apetite à base anfetaminas podem levar a agitação, desconcentração, estados ansiosos e, algumas vezes, experiências do pânico.

Outro exemplo é anti-hipertensivos com analgésicos tendendo a aumentar a pressão arterial do indivíduo por neutralização da ação anti-hipertensiva pelo analgésico gerando ansiedade, palpitações e irritabilidade.

No fim da palestra, mostrei o seguinte cenário: as cidades crescem, o número de carros aumenta, a idade dos motoristas tende a aumentar e também contamos com a pouca idade dos jovens habilitados. Nos idosos, a progressão natural das doenças geriátricas com consequente aumento do uso de medicamentos, bem como a introdução de outras substâncias lícitas, ilícitas e consumo de álcool representam aumento dos fatores de risco para as interações medicamentosas e os acidentes de trânsito. 

Está lançada a provocação para a discussão sobre esse problema urbano pouco estudado.

Compartilhe

Saiba Mais

     

    Redes Sociais